CAPÍTULO XI – NEM TUDO SÃO FLORES

março 12, 2008

No dia seguinte, um sábado, Custódio tinha dado um sinal de vida, que demonstrava muita impaciência. Muito provavelmente ainda não tinha visto o vídeo que estava se espalhando rapidamente pela internet, que já tinha quase 200 visitas em menos de 24 horas. Nesse “sinal de vida”, Déborah aparecia sentada numa cadeira, com uma roupa velha, despenteada, e pelo jeito completamente dopada, pois não reagia a nada. Enquanto isso, Custódio “brincava” com seu bisturi, cortando a sola do pé e parte dos primeiros dedos.


Eram mais motivos para que a propagação do vídeo continuasse. E paralelo a isso, Daniel vasculhando coisas pela internet, descobriu um outro vídeo. Tratava-se de Seu Ambrósio, pai de Clarice, implorando para sua filha voltar para casa. Um vídeo de dar dó.

Essas foram as únicas novidades durante o fim de semana. Porém logo na segunda-feira as coisas já começariam a acontecer.

M0skito, ainda dormindo em média 4 a 5 horas por dia, chega exausto de seu trabalho, com uma séria dúvida se almoçaria ou dormiria. Resolveu almoçar, pois o prato do dia era lasanha. Mas quando ele pensava em sentar para saboreá-la, seu celular toca. Vendo que era número desconhecido, já imaginava quem era.

- Fala Custódio!

- Opa Rafael, tudo bem?

- Tava até você ligar, né. Ia almoçar agora e você me incomodou.

- Ta podendo falar agora?

- É né! Você já atrapalhou, pode dizer.

- Então, eu queria te cumprimentar, e te parabenizar. Você é um cara realmente esperto.

- Que papo é esse?

- Só estou dizendo que você é um cara inteligente. Conseguiu descobrir tudinho sobre agente. Você é mais esperto do que eu pensei. – m0skito estranha muito aquela conversa toda, e resolve ficar calado para ver o que ele tinha a dizer. – Então, negócio é o seguinte: Vocês colocaram um vídeo na internet e ta rodando bastante, e ele ta incomodando agente.

- Ah é? Poxa, que pena hein!

- Então, queria te propor um acordo. Estou disposto até a colaborar contigo. Já até tirei certas pessoas do caminho, certo? Como o Jacinto, que ligou para você, o Jurandir também… Certo? Essas pessoas não trabalham mais pra gente. – Nesse momento m0skito se pergunta quem seria Jurandir, mas ignora logo depois – E eu gostaria de recomeçar contigo. Se você quiser você pode até trabalhar pra gente, agente pode te pagar muito bem. Você pode até dizer quanto você quer.

- HAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! Oh my god! É serio isso? Deixa eu ver se eu entendi: Você ta querendo me subornar, é isso mesmo?

- Não é bem assim, voador. Estou querendo conversar com você, fazer uma troca justa. Sei que você é um cara esperto e vai pensar em uma maneira boa de resolver tudo isso.

- Pois deixa eu te dizer uma coisa, cara. Eu não negocio com bandidos, ok?

- Bem, é uma pena realmente. Eu soube que você falou com o Dr. Oto, o meu chefe. Ele me falou muito bem de você, sabia. Te achou uma ótima pessoa, e falou até que gostaria muito de ter alguém como você trabalhando junto da gente. Me diga uma coisa que você gostaria que agente fizesse para começar-mos a conversar?

- Conversar? Bem, se eu tivesse a garantia de que vocês iriam parar de matar gente inocente e vender órgãos humanos pro exterior já seria um bom começo, sabia? E outra coisa, cadê a Clarice? Por acaso vocês mataram ela?

- De jeito nenhum, se você quiser, eu posso até colocar ela na linha.

- Pois põe ai, então.

- Bem, nesse momento infelizmente ela ta sedada. Mas assim que ela acordar eu coloco ela na linha com você, ta certo? Olha só, você tem o meu e-mail. Me mande as suas condições de negociações que eu te dou uma resposta ainda hoje.

- Então pronto, se ainda hoje eu não falar com a Clarice, não tem papo.

M0skito, acima de tudo, estranhava toda aquela conversa boazinha do Custódio. Sabia sim que eles tinham certa vantagem sobre a Phyto Pharma, mas eles não faziam o tipo de “colocar o rabo entre as penas”. Porém, não tinha outra escolha a não ser até onde tudo isso iria, pois era a única chance, mesmo que não tão grande, das garotas serem soltas. M0skito “engole” seu almoço, e relata tudo o que aconteceu para seus amigos.

Daniel diz: “Todinho resolveu amolecer, foi? Heuoaeheuoaha”.

Soso diz: “Isso não ta me cheirando nada bem. Temos que ter cuidado mais do que nunca.”

Gi diz: “Bem, nosso próximo passo é analisar como agente vai fazer essa negociação. Precisa ser de uma maneira que não deixe muitas brechas para o Custódio fazer alguma gracinha”

Jesiel diz: “Primeiro de tudo temos que usar o vídeo como vantagem. Somos em maior número também. Podemos pedir para algum de nós pegarmos as garotas, e se o resto de nós não tiver notícias em certo tempo, continuamos espalhando o vídeo. O que acham”

Glenyo diz: “Muito bom. Isso também garante a segurança da pessoa. Mas precisamos de mais”

Anne diz: “Bem, pensando em nossa segurança, e também na vantagem numerosa, podemos dizer para não incomodar mais ninguém do fórum.”

m0skito diz: “Muito bom, amor! Acho que isso já ajuda bastante. Sem contar que falei pra ele que sem Clarice, sem papo”

Cris diz: “Uma coisa legal também. Vocês nunca tiveram curiosidade de saber o que tem na intranet do site da Phyto Pharma? Agente poderia pedir o acesso, heehhehehe”

Daniel diz: “Boooooa, Cris! Gostei de ver”

m0skito diz: “Então beleza, vou considerar o que agente conversou, acrescentar umas coisinhas e dar o meu toque pessoal na coisa, blz?”

Sem esperar mais nada, m0skito escreve o e-mail para Custódio, revisando várias vezes e passando pela aprovação de seus colegas. No final da tarde, conseguiu sua “versão final”. O texto foi:

“Custódio,

Negocio é o seguinte! Temos várias exigências para a “eliminação” das provas existentes conta vocês. A primeira delas é que, antes de qualquer devolução e tudo mais:

- Nos conceda o acesso TOTAL da intranet de vocês, que está no site da PPB. Sem isso, a negociação será interrompida e os vídeos continuarão no ar, incomodando vocês cada vez mais.

- Após isso, como falamos por telefone, quero ouvir a voz da Clarice, pois até agora não tive contato com ela.

Tendo isso, vamos marcar a data, local e horário precisos para a entrega das garotas. Irei mandar alguém de minha EXTREMA confiança. Logo, se chegar a determinada hora e eu não receber a confirmação da vida e da segurança de ambas, não só irei continuar com os vídeos no ar, como também irei dobrar o número de perfis com o vídeo upado e lançarei meu spambot para que os links se espalhem mais rapidamente.
E por último, a PPB não irá mais incomodar mais nenhum dos membros do time de investigação e irão parar de exportar órgãos, viciar pacientes, passando assim a ser uma empresa de atividades honestas. Lembrem-se que se vocês não obedecerem isso, saberemos imediatamente.
Espero que sejam sensatos em ver q essa é a única saída de continuarem em liberdade.

Aguardo Anciosamente sua resposta.

Ass: Rafael “m0skito” “

Rei Azul diz: “Spambot!! Boa moskovis. Heheheheheheh”

M0skito diz: “Valeu!^^”

Feito isso, m0skito iria tirar o resto da tarde e a noite apenas para descansar e relaxar. Deitou no sofá e ligou o seu videogame, que não largaria a menos que tivesse a notícia que tanto esperava. Finalmente, por volta das 8 da noite, o telefone toca.

- Pensei que você não ia mais ligar.

- Rafa! É a Clarice.

- Oi, Clarice! – Finalmente um pouco de alívio naquela tensão toda – Que bom ouvir sua voz.

- Escuta, Rafa. Faz o que eles estão pedindo, ok? Vai dar tudo certo.

- Pode deixar, Cla. Eles estão na nossa mão.

- E então, meu colega de asa. – Custódio arranca o telefone de Clarice – Já te dei o que você que tu queria. Já está disposto a conversar?

- Muito bem. Qual é o trato?

- Seguinte, eu li o seu e-mail, ok? Fiz o que você pediu, te mostrei que a Clarice ta viva. Te garanto que amanhã de manhã o pacote vai ser liberado. Basta que você tire aquele vídeo do ar hoje de noite ainda. Agora, quanto à intranet isso eu não posso te passar, pois só o Dr. Oto e a Dra. Roc Vodaco têm o acesso, isso vai ter que ser negociado mais tarde.

- Você ainda vai incomodar algum dos membros do fórum?

- Vão ficar todos em paz.

- E como vou ter certeza de que as garotas vão ter sido liberadas?

- Eu te dou a minha palavra. Assim que elas forem liberadas você vai saber.

- Sua palavra? HAHAAHAHA, como se valesse algo pra mim. Me diga onde você vai deixa-las que vou mandar alguém lá.

- Ei, moleque! Você pergunta demais, sabia? Isso ta me irritando!

- É claro que pergunto muito, tenho que ter certeza de que você não vai fazer mais nenhuma merda. Ou por acaso você quer ser preso? Se lembra que assim como posso tira o vídeo, posso colocar de novo.

- Err.. Beleza então. Amanhã eu te garanto que as garotas vão ser libertadas. Basta que os vídeos sejam tirados do ar ainda essa noite.

- Você fazendo a sua parte eu faço a minha.

- Pronto! Agora sim estamos falando a mesma língua. – Faz-se uma pequena pausa – Poizé, meu colega de asa.

- Poizé, Todinho – Devolve m0skito, sarcasticamente.

- Então, foi um prazer negociar contigo. Bem que o Dr. Oto falou que você é um cara legal, esperto. Estou até mesmo começando a gostar de você.

- É uma pena que eu não possa dizer o mesmo de você, né?

- Hehehe! Pois então até amanhã, quando eu liberar o pacote.

- Até!

Nem acreditavam que tudo aquilo estava prestes a terminar. Era alívio geral para os participantes das investigações. Estavam alertas, é claro. Mas muito contentes pelo resultado de um trabalho em equipe. O único susto que m0skito ainda tomaria naquela noite seria lembrar que não tinha a senha do perfil falso da Yuuna, e que ela não se encontrava online naquele instante. Era quase meia-noite, e pelo horário ficou ainda mais receoso de ligar para ela. Seria no mínimo estranho, mas necessário.

- Alô!

- Oi Yuuna, sou eu.

- Oi moço!

- Te acordei não, né?

- Nem… tava lendo manga, hahhhaha!

- Bem, foi mal ta te ligando assim. Mas é que preciso muito da sua ajuda de novo. Conseguimos um acordo com os caras lá. Preciso que você tire o vídeo agora de noite, para as garotas serem libertadas amanhã.

- Não sei, vou ter que esperar pelo menos até umas duas da manhã pra poder usar o pc sem meus pais verem. Estou de castigo de novo, ahahahaha.

- Aiai! Bem, preciso MUITO que você faça isso, ta certo? Estou contando com você.

Apesar de cansado e com muito sono, m0skito dormiu poucas horas naquela noite. O dia seguinte passaria se arrastando, e a preocupação se Yuuna conseguiria ou não tirar o vídeo do ar atormentava-o bastante. Mas felizmente a “pequena” conseguiu. Por volta das 5:30 da manhã da terça-feira, m0skito verificou e o vídeo tinha sido retirado. Agora era só esperar a notícia das meninas, ou colocar novamente o vídeo no ar.

Quem também queria muito ver tudo aquilo terminar era Soso. Havia agido de forma um pouco estranha ultimamente, estava mais quieta e receosa, mas os motivos são desconhecidos. Acordou cedo como faz todos os dias, se arrumou, aprontou o café da manhã para seus filhos e seu marido, e depois foi deixar seus filhos na escola. Passaria manhã inteira sem notícias, assim como os outros. Mas à tarde, por volta das 14 horas, seu celular toca. Apreensiva, atende logo.

- Sofia!

- Sim?

- É a Clarice!

- Oi Clarice, e aí?

- Acabou, Sofia! Graças a Deus.

- Sério?! Ta tudo bem contigo?

- Comigo ta tudo bem. Aí, muito obrigada por tudo que vocês fizeram.

- Que nada o prazer é nosso.

- Escuta Sofia, eu não posso falar muito, ainda tenho que ir para o hospital, então presta atenção. Tem boi na linha, sabia? Então, você não acha estranho um convento com um nome de santo casamenteiro? Esquisito, não?

- Sei lá! Por quê?

- Bem, agora eu tenho que ir. Espero que você tenha entendido. Beijos, Sofia e muito obrigada de novo. Até a entrega.

Convento? Boi na linha? Entrega? O que a Clarice tava querendo dizer? Será que tinha enlouquecido por causa dos remédios? O fato é que ela aproveitou as últimas unidades do cartão telefônico para ligar para m0skito.

- Alô?

- Rafa, sou eu Clarice!

- Finalmente você ligou. E aí?

- É Rafa, acabou tudo! Finalmente!

- Aeeeeeeeeeeeeeee!

- Rafa, muito obrigada. Sem vocês não teríamos conseguido.

- Relaxe, moça. Eu que agradeço. Mas e aí, ta tudo bem com vocês?

- Infelizmente não acabou 100% bem, mas não posso falar muito, tenho que ir pro hospital. Queria que você me escutasse com muita atenção.

- Certo.

- Olha só, Rafa. O meu animal favorito é o leão, e o da Déborah é o jacaré. Entendeu bem?

- Leão e jacaré, né? – Confirma m0skito, mas sem entender o porquê daquilo.

- Isso mesmo. Bem, estou indo. Até mais, lindinho.

Após desligar o telefone, Soso e m0skito entram quase que instantaneamente na internet. Alguns dos membros já estavam online, apenas aguardando notícias. Os dois contaram sobre os telefonemas que receberam. E não perderam tempo para discutir sobre isso.

Mr. Alex diz: “Por que ela falou essas coisas esquisitas? Leão, jacaré, boi? Por acaso ela vai pro zoológico?”

Rei Azul diz: “Boi na linha. Eu não me lembro onde vi isso, mais era um código para telefone grampeado. Provavelmente pegaram a Soso e o moskovis”

Gi diz: “Uma coisa é certa, ela precisa entregar uma coisa pra gente, e por isso deu essas dicas loucas.”

Cris diz: “O santo casamenteiro é Santo Antônio. Provalmente ela se referiu ao convento de Santo Antônio, lá no Largo da Carioca. Esse deve ser o lugar”

Anne diz: “Bem, se essa era a dica do local, a dica do Rafa deve ser da data, eu acho.”

Manda diz: “Só não vejo como leão e jacaré podem ajudar nisso. Como vamos relacionar com números?

Glenyo diz: “Alguém já conferiu se eles existem no jogo do bixo?”

M0skito diz: “Valeu, cara! Como diria o Rei, Glenial. Acabei de ver aqui na net. O leão é o número 16, e o jacaré é 15.”

Polly diz: “Será que 16:15h?”

Tacio diz: “Ou mais provavelmente dia 16, às 15 horas. Dia 16 é amanhã. Então ela estará lá amanhã, às 15 horas, provavelmente perto do convento”

Saulo diz: “Beleza, então não marquem nada para amanhã, viu crianças? Temos um encontro com a nossa musa!”

Soso diz: “Não acho boa idéia ir todo mundo. Pode chamar atenção demais. Além do que ninguém sabe se o Custódio vai querer aprontar mais alguma, já que eu e o moska fomos grampeados.”

Cris diz: “Nesse caso teríamos que mandar alguém desconhecido, para despistar os caras.”

Maurício diz: “Nesse caso eu me habilito. Não entrei em contato com ninguém dessa história, exceto pela Clarice, mas ela nem deve saber quem sou eu. Isso vai nos trazer vantagem.”

m0skito diz: “Você ta certo que quer fazer isso? Pode ser perigoso”

Maurício diz: “Tranqüilo. De qualquer maneira vai valer a aventura.”

Cris diz: “Beleza, mau. Agente te agradece muito. Vamos ficar aqui e te dar todo apoio que você precisar.”

Finalmente uma noite em que todos poderiam dormir mais tranqüilos, já que o dia seguinte precisariam estar descansados para qualquer ação. Maurício iria sozinho para o local, mas estava com todo o suporte do pessoal a seu favor. O encontro foi marcado para as 15 horas, mas para ter segurança, ele chegou lá antes das 14. Aproveitou para tomar um pouco de água e ligar para Soso.

- E ai, a Clarice deu algum sinal de vida?

- Até agora nada. Mas já ta todo mundo aqui, pronto pra qualquer coisa. Precisando é só ligar.

- Ta certo.

- Toma cuidado, viu.

Do outro lado, estavam todos, prontos para passar as informações que o Maurício precisava. Por volta das 15 horas, resolveram se mexer, já que até agora não tiveram nenhuma notícia.

Soso: Cris, o número de onde a Clarice ligou pra mim e pro mosk é o mesmo né? Tem algum ponto de referência de onde o orelhão está?

Cris: Só diz que é no Largo da Carioca s/n. Mais nada.

Maurício: Soso, o número que você me deu não bate com o prefixo da região. Vou continuar procurando.

E Maurício continuava a procurar pelos orelhões, ligando para o número, mas dava ocupado. Logo, definitivamente aquele telefone não era dali. Longe dali, finalmente um sinal de esperança. O telefone de m0skito toca.

- Clarice?

- Vocês estão vindo?

- O Maurício está te procurando feito doido. Cadê você?

- Vamos logo, tenho que me apressar pra pegar ônibus de volta pra Araxá.

- Onde você ta? Dá algum ponto de referência.

- Estou numa praça, perto do metrô.

- Beleza, vou avisar pra ele.

m0skito: Soso, escutou né? Avisa pra ele. Rápido.

Soso: Beleza.

m0skito: Cris, rastreiou o número?

Cris: Yes, mas não ajudou muito. O ponto de referência é o metrô mesmo. Ele vai ter que ir procurando no olho mesmo.

De fato não tinha ajudado muito. A praça estava lotada de gente, e era difícil identificar alguém com as características da Clarice. Mas pelo menos o prefixo do orelhão já batia com o da região. Estavam na região.

Maurício: Porra, galera! Cadê essa mulher?

Soso: Credo, nada ainda? E o orelhão de onde ela ligou?

Maurício: Achei ligando pra ele, mas nada da Clarice.

Soso: Cara, continua procurando. Sei lá, faz alguma doideira, soube num banco e grita que seu bicho favorito é o jacaré, po!

Maurício: Hahahahahahahaha!

Maurício continuava a correr de um lado para outro, olhando todas as pessoas por qual passava. Onde estaria essa garota? E o calor infernal de um verão carioca definitivamente não ajudava em nada. Já era quase 16 horas, e o tempo corria contra eles.

m0skito: GALERAAAAAA! ! A CLARICE TÁ LIGANDO!

Soso: VAI, ATENDE LOGO!

- Cadê você, pô?

- Tou aqui ainda perto do metrô, cadê o Maurício?

- Ele ta por essas bandas também. Puta que pariu, cara! Clarice, como você está vestida, vai ajudar muito.

- Estou com uma mochila rosa, e de boné camuflado.

- Não se move do canto, beleza? Fica parada aí mesmo.

- Meu cartão telefônico vai acabar… – A última coisa que Clarice consegue antes da ligação cair.

m0skito: Soso, escutou né? Passa logo pro Maurício.

Glenyo: Moska, olha se o número é diferente.

m0skito: BOA, GLENYO! CRIS, TOU TE PASSANDO AGORA! RASTREIA!!!

Cris: O endereço é o mesmo, é próximo do outro orelhão, manda o Maurício procurar por essas bandas mesmo que ele ta perto.

Essa última ligação definitivamente ajudou muito mais. Afinal, encontrar alguém com aquela vestimenta naquela praça ensolarada ia ser bem mais fácil. Ligando para o número mais novo, finalmente foi possível o ouvir chamando. Chegou ao orelhão, e a poucos passos deles, estava uma garota, que parecia bastante aflita. Estava com o boné e a mochila que tinha falado, e com a mão enfaixada, como se tivesse o dedo cortado, ou seriamente luxado. Mas para desespero de Maurício, tinha muita gente na frente, e andando lentamente. Foi correndo, costurando quem podia, e chegando até a esbarrar em um rapaz. Desculpou-se rapidamente e voltou a correr. Após algum sacrifício chegou ofegante aonde queria.

- Clarice?

- Sim?

- Oi! Eu sou o Maurício, amigo da Soso, tudo bom?

Mesmo naquele estado, Maurício não pode deixar de admirar a beleza de Clarice. Era bem mais bonita pessoalmente do que nas filmagens. Apesar de ficarem na dúvida, deram dois beijinhos para cumprimentarem-se. Nesse momento, Maurício que a tinha visto de costas no momento que chegou ao metrô, porém não tinha prestado atenção.

- Então, Maurício. Quero te passar essa fita aqui, é muito importante para caso eles resolvam fazer alguma coisa no futuro. Ela tem algumas imagens.

Era uma fita de filmadora antiga, da qual não se via muito por aí nos dias de hoje. Tinham algumas coisas escritas nela, mas Maurício preferiu deixar para ler depois.

- E então, o que você vai fazer agora?

- Estou indo agora mesmo pra rodoviária voltar pra Araxá.

- Entendo. E onde ta a Déborah, o Custódio, o Oto…?

- Bem, a Déborah ta no hospital. Ela não está nada bem. O Oto, até onde eu sei, fugiu pro exterior. E o Custódio, bem… Esse aí definitivamente não vai mais incomodar ninguém.

- Entendo. Olha só, tem alguém aqui querendo falar contigo.

Maurício pega seu celular liga para Soso, assim que ele começa a chamar, ele passa o telefone para Clarice.

Soso: Gente é o Maurício no telefone. Ai, meu Deus, será que ainda não se encontraram?

- Oi!

- Sofia, é a Clarice! O Maurício me achou, ele já ta com o pacote.

- ELE TÁ COM O PACOTE! AEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!! UHUUUUUUUUUUU!!!!

m0skito: PEGA PORRA!!! UUUUUUUUUUH!!!!!

Glenyo: Aeeeeeeee!!!!!!!

Cris: AeeeeW pessoal! Parabéns pra todo mundo.

- Valeu mesmo Clá, parabéns para vocês. Trabalharam muito bem! VALEU!!!!!!!!!

Clarice quase que fica surda com os gritos de Soso, mas fica feliz em ver a animação de todos. Mas já estava na sua hora, tinha que ir logo.

- Bem, Maurício. Muito obrigada por tudo que vocês fizeram pela gente. Não vamos esquecer. Não esquece de agradecer ao pessoal por mim, ok?

- Que nada! Era o mínimo que podíamos fazer! Bem, então é isso, né? Boa viagem de volta.

De maneira tímida, os dois se despedem e cada um toma seu rumo. Clarice tinha destino certo, porém Maurício teria um último obstáculo. Teria que ir em algum lugar para tirar o vídeo daquela fita, pois não tinha o adaptador. Teria que ir em alguma loja especializada e passar tudo para seu pendrive para só assim mostrar para todos. O único lugar que lembrou era perto da sua casa. Quando finalmente conseguiu um lugar naquele aperto do metrô, conseguiu ver Clarice novamente ao longe. Ela acenou timidamente para ele e desceu umas duas estações depois. Aquela seria a última vez que veria Clarice Casalino. Quando ela desceu, finalmente pode prestar atenção no que estava escrito na fita. Na parte de cima da caixinha, dizia “Essas imagens contém violência.”, enquanto na parte lateral tinha um aviso de “cuidado”. E quando viu a parte de dentro, tinha uma última mensagem.

Obrigada por tudo! Não vou esquecer vocês. Beijinhus, Clá!”

Maurício estava orgulhoso de seu ótimo desempenho, porém ancioso para ver o conteúdo da fita. Infelizmente levou mais tempo do que imagnou na loja, e o vídeo sofreu uma perda curta de alguns segundos, porém nada importante. Voltou para casa e colocou o vídeo no ar. Todos estavam anciosos para ver o que Clarice queria deixa-los.

Apesar do que aconteceu com Déborah, todos ficaram extremamente com aquele fim para Custódio. Passaram bons dias comemorando e falando sobre isso.

* * *

Bem, como um participante de tudo que foi descrito aqui, fico feliz em passar essa fantástica história adiante, pois marcou a vida de todos nós para sempre. Amizades foram feitas, lembranças foram guardadas, paixões surgiram. Passamos por vários perigos, é verdade. Mas é apenas a prova de que é preciso ter confiança e fé para atingir os objetivos desejados. Muitos fatos aqui foram modificados, outros retirados, mas o que aconteceu foi real, e todas as pessoas aqui descritas também são. Quem quiser ver como tudo realmente aconteceu desde o começo, ou conversar com alguém, sintam-se a vontade para visitar-nos.

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42865490

Abraços de todos aqueles que estiveram na SAGA OBSSCOMP

CAPÍTULO X – NO AR

março 10, 2008

Uma coisa era certa. Os dois lados tinham muito a perder. Ninguém queria ver as garotas mortas, porém a Phyto Pharma sabia que se vacilassem, os membros do fórum poderiam denunciá-los, e aí estaria tudo perdido. M0skito, Daniel, Alex, dentre outros, demonstravam isso bem claro em seus posts. Custódio irritava-se cada vez mais, e ver aquele “inseto” morto agora virou questão de honra. Mas enquanto não resolvia sua situação, tinha também que dar o braço a torcer.

Custódio resolveu fazer contato com outra pessoa com quem pudesse conversar melhor do que com m0skito, e dentre todos escolheu Soso.

“Você me parece melhor ser negociadora que aquele moleque ‘alado’. Se me passar teu número telefônico, boto você na linha com as garotas. Neste caso, a primeira que despertar do ansiotroll.

Ass: Custódio Tavares”

Soso não perde tempo e responde logo em seguida, passando seu contato telefônico. Pensou depois se talvez essa atitude não tivesse sido precipitada, mas agora teria que lidar com as conseqüências. Afinal, teve pouco tempo para pensar nisso, pois algumas horas depois seu celular toca.

- Alô!

- Sofia?

- Sim?

- Sofia, aqui é o Custódio. Tudo bem?

- Estaria melhor se não precisasse falar com você.

- Dobra a língua, mulher. Senão as coisas não vão pra frente. Olha só, não vou perder muito meu tempo contigo não, vou colocar a Déborah logo aqui na linha pra vocês não dizerem que eu tou mentindo. Fala aí, vadia! – Ouve-se um barulho, como se ela tivesse sendo empurrada.

- Sofia? – Pergunta a voz fraca e ofegante.

- Déborah, como vocês estão?

- Eles estão dando muitos remédios pragente… Tão dopando agente direto.

- Fica calma, viu! Estamos tentando incansavelmente achar os enigmas, já temos alguns em mãos.

- Sofia… Presta atenção… Você lembra… da referência que o Fernando fazia nas tatuagens?

- O Febrônio, certo?

- Isso!… Você já sabe o que significa não é? – A última coisa que consegue falar, antes d ter o telefone arrancado.

- Chega desse papinho besta! Como você viu, não estamos de brincadeira. E aí, tão dispostos a cooperar?

- Agente precisa de mais tempo para analisar-mos a situação?

- Tempo pra que? Pra chamar a polícia? Vou logo te avisando, que se tiver polícia envolvida, as garotas vão voltar pra casa sem língua.

- Não se preocupa não. Ninguém vai fazer isso não.

- Em você eu até confio. Quem não confio de jeito nenhum é naquele moleque voador. Ele vai ser o primeiro de vocês a morrer.

- Olha, você também precisa se acalmar. Vamos negociar isso direito, ok? Se você quiser, agente pode até sair e tomar um chopp.

- Hehehe. Gostei da idéia. Vou te ligar depois pragente combinar melhor essa coisa toda.

- Nossa! Mal posso esperar pra isso.

- A propósito. Gostei de você. Pode me chamar de Todinho.

* * *

Daniel diz: “AHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!! TODINHO FOI ÓTIMA! HEAOUEAHUOEA!!”

Mr. Alex diz: “Esse aí ta doidinho pra ser chupado. Lol”

Soso diz: ”Credo, gente. Eu tinha que ganhar a confiança dele, né? A propósito, m0ski, ele quer ver você morto.”

m0skito diz: “Serio? Mais um pra lista”

Cris diz: “Mas o que será que ela quis citando o Febrônio?”

Rei Azul diz: “Talvez seja uma das senhas”

Glenyo diz: “O significado de DCXVXVI é deus vivo ou imã da vida, como nós mesmos descobrimos.”

Anne diz: “Tentei algumas coisas com esses significados mas até agora nada. Vou continuar.”

Saulo diz: “Precisa mais não, Anne. Eles dificultaram, mas é isso mesmo. A senha é deus_vivo*imã_da_vida”

Soso diz: “Credo, esse * eu não ia adivinhar nunca”

Rei Azul diz: “Então é isso mesmo, galera. As dicas, como agente suspeitava, são relacionadas aos vídeos e e-mails.”

Manda diz: “E não esquece também do Meu Nome Não é Johnny. Para o pessoal que já viu o filme, mãos a obra.”

Anne diz: “E se eu disser ambrosia*da*dona*marly significa algo pra vocês?”

m0skito diz: “Mandou bem, amor!! =******”

* * *

O prazo até domingo dado por Custódio já tinha passado, e não tinham sido achados todos os enigmas. Porém, graças a boa relação que Soso conseguiu manter com ele, tiveram mais tempo e puderam trabalhar mais.

VE_9056

HOMEM*QUE*LANÇA*O*ARPÃO

PÃO*DE*AÇUCAR*URCA*RIO

cloreto_de_hidrogênio

deuso_dcxvxvi

elite

ivan_yazbeck

cartão_de_natal_juiza

niépce_1822

parque_lage_corcovado

grande_hotel_araxá

ambrosia*da*dona*marly

rubão*arpoador

deus_vivo*imã_da_vida

628272527423

ESTRADA_REAL

POTRBTULPNSZLGJRAEQEHNFURG

Rei Azul diz: “Essas são as 17 que conseguimos. Temos boa parte do vídeo em mãos, mas ainda faltam partes importantes.”

Anne diz: “Nossa, esses caras são uns monstros. Eu odeio eles.”

Porém não significava que Custódio iria pegar leve com eles. Era hora de usar golpe baixo, provocá-los, fazer perderem a cabeça. Foi então que começaram algumas “trocas de elogios” entre eles. Porém nada parecia atingi-los muito, e para isso precisava jogar imundamente. Neste momento que ele lembra de um dos “peões” que ajudava a esconder os corpos na antiga Phyto Casa. Seu nome era Jacinto, era um rapaz sem educação, mal sabia escrever, além de nenhum valor. Toparia qualquer coisa por alguns trocados. Custódio resolve ligar para ele.

- Jacinto? Aqui é o Custódio, da Phyto Pharma. Tudo bem?

- Opa meu chefe! Tudo tranqüilo.

- Ta afim de receber um extra? Tenho um servicinho fácil pra ti.

* * *

Cris diz: “Meu Deus, tão simples e eu não percebi isso. Que raiva.”

Glenyo diz: “O que foi Cris?”

Cris diz: “A ordem dos 14 vídeos da Clarice. Se você olhar, o nome deles não estão na ordem numérica que dizem. Mas se você coloca-los na ordem cronológica dos fatos, você chega a próxima senha. 4_2_1_3_5_6_7_8_10_13_12_11_14_9 “

Gi diz: “Uhuuu! Só faltam duas!

Polly diz: “Duas não, uma! Soso, graças aquele e-mail “inútil” da receita de ambrosia que a Clarice te passou, consegui mais uma. 1,5*4*4*3*0,5 . Isso é a quantidade de cada ingrediente da receita =) “

Jesiel diz: “Tou sentindo que hoje agente vai ter esse vídeo completo hein galera!!”

m0skito diz: “Galera, só um instantinho que eu vou atender o telefone”

Definitivamente aquele telefonema pegou m0skito de surpresa. Se fosse Custódio, com certeza não se surpreenderia tanto.

- Alô, Rafael! Sabe quem ta falando?

- Deveria saber?

- Aqui é o Dr. Oto. Chefe da Phyto Pharma Brasil. – m0skito fica calado. Após alguns instantes de silêncio, Oto volta a falar. – Poizé, rapaz! Acho que vou te visitar em casa por esses dias.

- Pode vim! Se tu for capaz de me achar!

- Rapaz! Eu já tou perdendo a paciência contigo. Tu ta se achando esperto demais. Se acha melhor que agente? Acha que agente ta blefando? Pois vou te colocar aqui pra falar com a Déborah! Vai fala com ele!

- Rafa…

- DÉBORAH?! Ta tudo bem com vocês?

- Não Rafa… ta nada bem.

- Você ta ferida? Cadê a Clarice?

- Ta desmaiada… Rafa… Acho que vou ser a primeira.

- Não fala isso, agente vai dar um jeito nisso tudo. Só falta um enigma.

- Rafa, presta atenção… Vocês são muito espertos… Ainda bem que nasceram em estados diferentes… isso ajuda muito…

- Como assim?

- Rafa… Game over… Denuncia… DENUNCIA NA INTER…

- Dá esse telefone pra cá, vadia! – Oto arranca o telefone dela – Teu tempo ta acabando.

- ACABANDO O CARALHO, MERMÃO!!! JÁ TOU PUTO COM VOCÊS!

- Se vocês não entregarem esses vídeos elas vão morrer.

- SE VOCÊ FIZER ISSO, VOU ENTREGAR ESSA MERDA DE VÍDEO PRA POLICIA, SEU FILHO DA PUTA.

Antes que Oto desligasse, quase que simultaneamente os dois gritam “QUEM MANDA AQUI SOU EU!”. M0skito ficou exausto, sentia necessidade de acabar com aquilo. Bastava achar a última senha, e teria a vantagem que queria. Ou pelo menos assim pensava.

Maurício diz: “Hahaaaa! Estados diferentes, hein! Essa provavelmente é a última senha”.

Rei Azul diz: “O negócio agora é descobrir quantos, quais, e que ordem ela usou os estados”.

Gi diz: “Vai ser uma loooooonga noite”.

* * *

Descobrir senhas, esperar notícias, falar com bandidos… Além de todas as preocupações que m0skito tinha, estava dormindo cada vez menos. E isso reduziu drasticamente seu rendimento no trabalho, tendo sido chamado atenção várias vezes pelo seu chefe. Porém tentava voltar ao seu ritmo normal, tentando concentrar-se mais nas suas atividades e também descontrair-se com as brincadeiras que seus colegas sempre fazem. Mas nesse dia, para sua infelicidade, além de não conseguir voltar ao bom ritmo, algo tiraria o seu resto de humor pelos próximos dias. Novamente, tudo parte de um telefonema misterioso.

- Alô! – Atende ele entediado.

- Você confia na sua namorada?

- Watahell???????

- Você confia na sua namorada?

- Quem é que ta falando? – Fala m0skito, irritado.

- Você sabia que a Anne tem um caso com um cara da Phyto Pharma, e que passou informações suas para ele?

- VOCÊ PENSA QUE ENGANA QUEM, SEU VIADO!

- Ah, então você não acredita? Eu tenho um vídeo que pode provar o contrário. Caso você se interesse, me encontre sábado à noite no Avesso Clubber. – Termina a voz misteriosa, desligando na cara dele.

A voz não era de Custódio, mas m0skito tinha toda a certeza de que isso era obra dele. Dessa vez, raiva era pouco para descrever o sentimento que passava em sua cabeça. Talvez ira seja a palavra mais próxima para isso. Estava tão irado, que mal sentiu sua mão enquanto apertava com força seu celular, rachando o visor no meio. Eles poderiam ter mexido com ele, ameaçado de todas as maneiras, ou até mesmo seqüestrado ou matado, mas mexer com sua amada praticamente despertou o demônio residente nele. O pouco de consciência que lhe restava conseguiu fazer com que ele, antes de fazer qualquer besteira, ligasse para Anne, e contasse o que aconteceu.

- Ai que raiva amor. Nam… Que cara nojento.

- Anne, olha só. Eu quero que você pare de investigar. Não comente no fórum, não troque mais recado com o Custódio nem com ninguém. Não faça NADA. Ok? E agora em diante só atenda o celular se o número for conhecido.

- Nossa, amor. Tenha calma.

- OK, ANNE?

- Ta, amor… Ta bom, eu prometo. Mas tenta se acalmar. Ele só fez isso pra te provocar.

- Não importa. O pior erro dele foi ter mexido contigo. Eu JURO que no final disso tudo, esse viado do Custódio vai acabar sem os ovos dele. EU JURO.

- AMOR! Eu já falei pra você se acalmar… Escuta só, você não ta pensando em ir nesse encontro não, né?

- Tou.

- Você é louco? Eles vão pegar você que nem pegaram a Clarice. Por favor, diz que não vai.

- Eu não vou vacilar. Vou levar uma arma pra lá.

- PARE COM ISSO! Que que é, ta achando que eu realmente fiz aquilo?

- Não. Se você mentisse para mim, pode crer que eu saberia. Mas se eu pegar esse carinha, eu posso torturar ele também, ou até trocar as meninas por ele.

- RAFAEL GOMES DE OLIVEIRA! Você nem pense em fazer isso. Você acha mesmo que ele estaria sozinho numa dessas? Sem contar que aquele clube é muito perigoso, já teve muita confusão com a polícia lá, e de ser totalmente afastado da cidade. Esses caras são bandidos, gente perigosa. Já mataram muita gente, e se você for, provavelmente vai ser mais um. – Anne faz uma pausa pra respirar – Eu entendi quando você me pediu pra ficar longe, e aceitei. Por quê você teria que se arriscar? Por favor, me prometa que não vai.

- Aiai – Definitivamente m0skito foi vencido nos argumentos. – Ta bom. Eu não vou. Mas também não vou ficar parado não. Só falta uma senha, assim que tivermos o vídeo completo, eu solto… Com ou Sem o consentimento do pessoal. O tempo das negociações acabou.

* * *

No caminho para a casa, m0skito não pensava em outra coisa. Iria engolir algo pra passar a fome, e não iria sair do computador até descobrir a maldita senha. Porém ainda era uma negação nisso, e sem contar que enquanto ele trabalhava outros continuavam tentando, sendo que uma dessas tentativas deu certo. Aquela notícia não poderia ter chegado em melhor hora pois precisava de algo para se animar.

Cris diz: “Então, essa última senha nada mais era do que mero trabalho braçal (falando nisso, os meus estão clamando por descanso). Estou aqui desde as 4 da manhã, mais ou menos a hora que todo mundo saiu. Fui listando as possibilidades de ordem e escrita para ir eliminando e não me perder. E finalmente conseguir. A última senha é pe_rs_rn_sp_rj_ce_ba_ma .”

Daniel diz: “Uhuuuu! É agora que agente pega esses caras. Tou doido pra socar alguém”

Gi diz: “Parabéns Cris, você é genial”.

Anne diz: “Mas poxa! Tenho pena da Clarice. Veio descobrir sobre o seu irmão e acabou descobrindo essa sacanagem do pai dela.”

Soso: “Sinceramente não sei o que é pior. Se é o fato dele exportarem órgãos humanos ou se é essa coisa toda de viciar o pacientes nos remédios. A Clarice tinha total razão quando disse que era desumano o que eles faziam. M0ski, faça a sua mágica e salve os vídeos antes dele ser deletado do site, ok?

m0skito diz: “Got it!

Mr. Alex: “Mas então, o que vamos falar pro Custódio”

m0skito diz: “Não vamos falar nada. Vou upar esse vídeo na net logo pra acabar logo com isso.”

Gi diz: “Tenha calma, m0ski. Se fizermos isso, ele pode querer matar as garotas.

M0skito diz: “Eu não tou perguntando se vamos ou não, estou afirmando que vou. Se vocês pensarem, essas garotas já podem até estar mortas. Se não tiverem, provavelmente serão ainda, pois eles não vão querer testemunha viva não. Soso, fiz minha ‘mágica’ e vou tratar de upar os vídeos agora. Até mais.”

Daniel diz: “Espera aí pô!”

Manda diz: “Que diabos deu nele?”

Anne diz: “Er…bem… Ele têm seus motivos para ta assim.”

Soso diz: “Mas se vocês pensarem bem, ele tem razão… Infelizmente”

Parecia que forças maiores não queriam que ele espalhasse o tão esperado vídeo. Sempre que tentava concluir a tarefa, dava erro, e m0skito não sabia por que. Mas não tinha tempo para descobrir, tinha que pedir ajuda a alguém, de preferência que não soubesse muito sobre o assunto e também não discutisse com ele se deveria ou não fazer isso. No momento que pensava nisso, uma pessoa completamente inesperada ficou online no messenger de m0skito. Cássia, mais conhecida como Yuuna, sua ex-namorada.

m0skito diz: “Oi, moça”

Yunna diz: “Oie, qto tempo! Como você ta?”

m0skito diz: “Mais ou menos”

Yunna diz: “Pq? O.o”

De maneira bastante resumida, m0skito explica a ela a situação, e pede por sua ajuda. Ela fica receosa, mas não poderia deixa-lo na mão naquela hora. Iria usar um perfil falso para upar o vídeo.

m0skito diz: “E agente tando afastado, não tem perigo de você se envolver. Só peço que você não comente sobre isso com ninguém, pra sua própria segurança.”

Yuuna diz: “Se você diz, eu vou confiar.”

m0skito diz: “Obrigado. Muito mesmo”

E como prometido, Yuuna consegue colocar o vídeo através de sua conta falsa, que atendia pelo login Danielinha87.

Anne diz: “Quem é essa Danielinha?”

m0skito diz: “Perfil fake minha ex. Aquela que te falei naquele dia.”

Anne diz: “Ah… sei”

CAPÍTULO IX – O CONTRA-ATAQUE DE CUSTÓDIO

março 5, 2008

O e-mail de Clarice chega apenas no dia seguinte. Apesar de aliviados, os membros do fórum continuavam apreensivos. Afinal, elas deram sorte dessa vez, porém não poderiam ter na outra vez.

Tácio: “Pelo menos agora agente tem um nome né?”.

Jessiel: “Não que isso ajude muito. Até porque não tem nenhum Custódio no site da Phyto.”

Gi: “Sem contar que devem existir milhares de Custódio Taravez”.

Alex: ” Mas o pior, como vamos descobrir os 20 enigmas?”

Glenyo: “Essa vai ser a parte mais trabalhosa.”

Soso: “Ela deve ter feito algo baseado nos vídeos, e e-mails que ela passou”

Amanda: “Ou então ela pode ter baseado no filme Meu Nome Não é Johnny, aproveitando que os fragmentos estão lá.”

m0skito: “Gostei. Então vamos todos ao cinema. Vamos, amor?”

Anne: “Adorei a idéia”

Ficou difícil escolher um dia que todos pudessem ir ver o filme juntos, então optou-se por cada um ver quando puder, o mais rápido possível. Lógico que Anne e m0skito assistiram juntos.

- Hahahaha. Que filme massa. O cara dos mcdonald’s é muito hilário.

- É mesmo, amor. Amei o filme.

- Heheh. Mas então, amor, daqui a alguns dias vai ser a minha colação de grau. Eu queria muito que você fosse.

- Claro que vou amor. Vou adorar te ver de beca. Vai ficar lindo.

- Aquela roupa é ridícula, além de MUITO quente.

- Hahahaha. Mas então, você vai chamar o pessoal pra ir também?

- Não não. Nada pessoal contra ninguém, mas eu queria uma coisa mais reservada.

- Entendo.

Os dois saíram do cinema e foram dar uma volta. Passariam o dia inteiro naquele shopping, conversando, rindo, se divertindo como todo casal apaixonado. No final da noite, m0skito foi deixar Anne em casa. Mas não tinham nenhuma pressa para se despedirem. Ficaram bastante tempo na porta da casa dela, sem a mínima vontade de sair de perto um do outro. Mas o momento dos dois foi interrompido quando o celular de m0skito toca. Era um número desconhecido.

- Vai, amor. Atende.

- Aí que saco! Alô

- Alô, Rafael?

­- Sim, é ele.

- Oi Rafael, aqui é o Custódio, da Phyto Pharma Brasil. Lembra de mim?

- Claro que sim, Custódio. – m0skito tenta mostrar naturalidade, mas estava extremamente surpreso.

Anne, ao ouvir o nome Custódio, arregala os olhos e fica mais confusa ainda. M0skito coloca rapidamente o celular no viva-voz para que ela escute também, mas gesticula para que ela faça silêncio.

- Poxa, fiquei muito decepcionado em saber que você em saber que você mentiu pra mim. Cê falou que morava na Lapa.

- É que… – Dessa vez m0skito não tinha mais nenhuma resposta na ponta da língua. Estava completamente desprevenido.

- Pois então. Eu tô aqui com as suas amigas, Clarice e Déborah, que naquele dia tentei encontrar mais agora eu achei. Estou sabendo que vocês tiveram acesso a um certo vídeo. Esse vídeo é muito importante, pois ele compromete a reputação de um grande amigo meu. – Nesse momento, o tom de voz começa a ficar gradativamente mais agressivo. – E eu tou querendo esse vídeo o mais rápido possível. Eu quero que você me passe esses enigmas até esse domingo, ou então eu arranco a língua das duas e entregar pessoalmente na tua casa.

- ESPERA AÍ! – m0skito começa a falar, misturando nervosismo e ao mesmo tempo irritação – COM QUEM VOCÊ ACHA…

Custódio desliga o telefone na cara de m0skito. Anne não sabia o que dizer.

- E agora, Rafa?

- Isso é blefe pô! Só pode.

- Será? Vamos postar isso lá no fórum e ver o que o pessoal fala.

Os dois entram na casa, e vão direto para o escritório onde estava o computador. Só que antes que tivessem tempo de acessar o fórum, o celular de m0skito toca novamente. Era o mesmo número.

- VOCÊ ACHA QUE ENGANA QUEM, Ô PALHAÇO?!

- Palhaço? Toma cuidado com que tu fala, moleque! A vida das suas amiguinhas ta nas nossas mãos.

- E TU ACHA QUE EU VOU ACREDITAR NESSE TEU BLEFE?

- Comé que tu acha que eu consegui teu telefone? Cê pensou que eu não ia te achar? Eu te achei, rapá! E outra coisa, eu tou de olho em tudo que vocês tão falando naquele fórum, sei das tuas manha todinha. Se tu não entregar os enigmas até domingo, são elas que vão sofrer, e depois eu vou atrás de você. E outra coisa, a Phyto Pharma Brasil nunca perde.

- EU TAMBÉM NUNCA PERCO, FILHO DA PUTA! VEM ME PEGAR SE TU PUDER! ME PÕE NA LINHA COM ELAS SENÃO NÃO ENTREGO NADA!

Novamente Custódio desliga o telefone na cara de m0skito. As ameaças de Custódio faziam mais sentido agora. Porém ainda não estava certo se elas eram ou não reais.

- Eles podem ter achado o fórum rastreando os e-mails da Clarice, e do mesmo jeito terem me achado.

- Não sei amor! Essa gente é perigosa. Melhor você tomar mais cuidado.

- De qualquer maneira temos que falar com o pessoal, seja por messenger ou pessoalmente. O fórum não é mais seguro.

Como tinha que avisar rapidamente aos membros do fórum, m0skito não viu outra opção senão escrever em código. O mesmo vigenère que a Clarice e o Fernando usavam para passarem suas mensagem.

- m0skito: “FUVBBKWS SPTIOF LA FOQBNAC

SEVABHZ E ZWTR CZUHUA D XUFHS SUTR NZ MWP CXAGVRMC OE CIRVI H DLAFL EYS UE VU YHIP EQBELUEGUE F VTKSR PDZN LZI OVE UOXPBJO HTR COM ACNUAC H ZLNJCN KOW RWAJ PCH ALM SA RSS TCFE KA MSSIAQLB WCMG GLV NLBA FOOWPVI EG FURS YH ZLNKI

Valeu galera, e um feliz 2008 para todos vocês”

- Cris: “O que é isso, m0skito? De segredinho com agente? =(“

- m0skito: “ Que nada, Cris. Apenas um presente ;)

- Amor, será que eles vão entender?

- Claro que vão. Lembre-se que no fórum só tem fera. Não tem nada que eles não possam desvendar.

Estava ficando tarde, e m0skito não podia mais ficar na casa de Anne. Além disso, eles ainda teriam uma longa conversa com o pessoal, o que duraria a madrugada inteira, praticamente. M0skito dá o beijo de despedida na garota, e vai embora. Enquanto isso, como previsto por m0skito, o pessoal desvenda a mensagem. A chave era dadinhoeocaralho, e a mensagem dizia:

PESSOAL A LUTA CONTRA A PHYTO ESTA NO FIM CUSTODIO ME LIGOU E DISSE QUE SE EU NAUM ENTREGASSE O VIDEO PARA ELE ATE DOMINGO ELE VAI MANDAR A LINGUA DAS DUAS PRA MIM PS ELE PODE TA BLEFANDO POIS ELE NAUM COLOCOU AS DUAS NA LINHA

- Soso: “Credo! O que diabos aconteceu?”

- Maurício: “O jeito é esperar o moskito resolver aparecer”

- Gi: “Mas afinal, porque que ele codificou a mensagem?”

- Daniel: “Provavelmente, se acharam ele, podem ter achado o fórum”

- Manda: “Nossa, então quer dizer que somos alvos possíveis também?”

- Rei Azul: “Somos. Mas temos que nos preocupar com a saúde das garotas. E sem contar que ainda não conseguimos nenhuma das 20 senhas.”

Paralelo a isso, Daniel praticamente se isolava tentando descobrir alguma das senhas. Não agüentava aquela pressão toda, tinha que pelo menos conseguir algumas. Nesse momento, ele lembra de uma dica dada pelo Rei Azul no começo de tudo, onde ele trocava letras por números, como se tivesse escrevendo de um teclado telefônico. A partir daí tinha pelo menos algo em que focar. Depois de mais algumas horas de várias tentativas frustradas, lembrou da mensagem automática do telefone da Phyto Pharma, e o anagrama Matar Clarice. Convertendo, chegou à combinação 628272527423. Mal podia acreditar que tinha conseguido a primeira senha. Seu coração palpitava, parecia que ia pular pela boca, tanto que nem ao menos conseguiu prestar atenção no fragmento de vídeo que tinha aberto. Precisava avisar à alguém, mas o fórum estava sendo vigiado. “Porra!”, pensava ele. Felizmente deu tempo de avisarem a ele sobre o chat do messenger. Daniel chega poucos segundos antes de m0skito, e como quase que automaticamente, soltou a novidade.

Anne: Parabéns, Daniel.

Rei Azul diz: “Uma senha já foi, só faltam 19.”

Gi diz: “É, e só restam 4 dias até o domingo”

Mr. Alex diz: “Mas então vamos mesmo abandonar o fórum?”

Cris diz: “Acho que não precisa abandonar. Ele ainda é útil para postarmos coisas relevantes, e rever tudo o que já aconteceu. Só não podemos entregar o ouro pra eles né? Cuidado ao postarem”

Glenyo diz: “E como faremos com o Custódio?”

m0skito diz: “Cara, se ele tiver mesmo com as garotas, ele vai ser muito burro de fazer algo com elas. Eu mesmo, se elas morrerem, não vou querer mais nada vindo deles.”

Mr. Alex diz: “É, só que agente ainda não tem o vídeo completo. Até la, só podemos rezar.”

Manda diz: “Bem, pois vou diminuir o trabalho de vocês para acharem só 18 senhas, hehehe. Essa eu consegui assistindo ao filme. VE_9056. É o que tem escrito na lancha da Johnny e a Sofia.”

m0skito diz: “Grande, Manda! Merecia um beijo!”

Anne diz: “Fala isso na minha frente, pra ver oq acontece ¬¬”

m0skito diz: “Ops. O_O”

Cris: “Hahaha!”

O empenho de todos era grande. Porém o tempo estava contra eles. Tinham que ganhar tempo, pois tudo agora dependia deles. E a partir desse momento, cada passo dado por eles iria ser decisivo.

CAPÍTULO VIII – FRUSTRAÇÕES

março 2, 2008

Clarice e Déborah não demoram muito a chegar à pousada onde ficariam refugiadas durante os próximos dias. Estavam exaustadas. Clarice passaria a primeira noite em claro, pois as revelações daquele dia assombravam sua mente. Mas tinha que recuperar suas forças. Afinal, se pretendia manter-se viva, e ainda continuar na luta contra a Phyto Pharma, essa era a hora de agir com mais inteligência. Eis que surgiu a idéia de falar com o pessoal pelo orelhão, para dificultar o rastreio.

- Como você pretende chegar até eles? – Perguntou Déborah.

- Aqui pertinho tem vários orelhões. Escolhemos um e eles ligam.

- Certo. Mas temos que ser rápidas. Não podemos ficar muito tempo expostas.

- Mas e quanto àquela sua idéia? Será que vai dar certo mesmo?

- Estou sim. Só preciso ter certeza de que meu amigo na produção receba o vídeo com segurança. Lá, ele vai fragmentar em 20 pedaços, como agente pediu, e deixar no site do filme de forma camuflada. Ninguém desconfiará.

- Que ótimo amiga. Acho que esse pesadelo está mais perto de acabar do que agente imagina.

Na manhã seguinte, as duas tinham que agir rápido, como planejaram. Sem nenhum segundo a perder. Chegaram por volta das 13h30min na lan house, aonde mandariam o aviso para os membros da comunidade. O plano seria Déborah ficar na lan house enquanto Clarice atendia o orelhão.

Dada à hora marcada, Clarice dispara em direção ao orelhão. Porém, no meio do caminho, se depara com uma figura sinistra. Um homem alto, moreno, e vestia uma camisa preta e verde. Com certeza era o homem que havia perseguido as duas durante a primeira invasão à Phyto Casa. O coração de Clarice foi a mil. Como eles conseguiram chegar ao Jardim Botânico tão rápido? Ou terá sido coincidência? De qualquer forma, Clarice escondeu-se o mais rápido que consegui, atrás de um latão de lixo. Observava o homem sinistro, que parecia realmente estar procurando por alguém ou alguma coisa. Tinha que voltar, para avisar aos membros do fórum do perigo que rondava. Esperou um momento em que o homem ficou de costas, e disparou de volta a lan house, onde Déborah estava.

- O que houve? Já voltou?

- Nem fui ainda? Tem um cara sinistro por ali. Acho que são eles. Avisa pro pessoal sobre isso, e que volto pra lá assim que conseguir.

Déborah fez imediatamente o que a amiga pediu. E de agora em diante, não iria mais se distrair como fez agora a pouco. Mas não era hora de sentir-se culpada. Clarice observava da lan house o homem misterioso. Demorou algum tempo para que ele desistisse de sua busca. Finalmente o orelhão estava livre.

- Pronto, amiga. Ele já foi, avisa pra galera.

Dessa vez não tomaria nenhum susto até chegar no orelhão, bem a tempo de atender o chamado.

- Alô?

- Alô, quem fala?

- É o Glenyo.

- Ah! Oi Glenyo. É a Clarice.

* * *

- Então, Clarice. Dei um jeito de mandar o pendrive pro meu amigo da produção do filme. Ele disse que ta fazendo isso só pela amizade, mas que o pessoal tem que pegar logo isso, antes que a produção ache isso dentro do servidor. Se isso acontecer, ele ta na rua.

- Entendi. Mas eu tenho certeza de que eles vão conseguir isso mais rápido que agente pensa. São inteligentes. Assim que seu amigo der o sinal verde, agente entra em contato de novo com eles, e passar as informações.

- Mas então, contai como foi falar com um deles.

- Poizé, quem ligou foi o Glenyo. Ele é muito legal. Tem voz de menino.

Passam-se alguns dias, e as garotas aguardam ansiosamente por notícias do colega de Déborah. Estavam apreensivas para que tudo aquilo terminasse logo. Com o vídeo fragmentado, ficaria muito mais difícil do pessoal da Phyto Pharma pegá-los. Nesses dias, o pouco que Clarice conseguia dormir voltava a ter aquele mesmo sonho que vinha tendo desde sua viagem ao Rio de Janeiro. Mas felizmente para ela, Déborah interromperia uma reprise deste pesadelo com uma ótima notícia.

- Finalmente Cla. Nosso sistema está no ar.

- Nossa! Que notícia boa. Finalmente vamos terminar com isso.

Emocionada, Déborah dá um longo abraço em Clarice. Aquele abraço parecia parar o tempo, fazendo parecer que todos os problemas do mundo tinham desaparecido.

- Vamos. Não podemos perder mais tempo. Temos que falar pro pessoal.

Mal podiam esperar para falar com o pessoal novamente. Estavam ansiosas para terminar de vez com todo aquele pesadelo, e agora bastava mais um telefonema e teriam tranqüilidade de novo. Naquela manhã, passariam cedo na lan house, e mandariam outro pedido de ligação para o mesmo orelhão. Observaram durante um tempo a movimentação no fórum, para ver quem estava disponível naquele momento. Parecia que dessa vez quem iria atender ao chamado de ajuda seria m0skito. Falar com mais outro membro seria muito legal.

- Então Clarice, como agente combinou, você vai lá no orelhão atender o telefonema do Rafa, e eu fico aqui para saber alguma novidade do fórum. Caso tenha alguma coisa suspeita, eu toco esse sino e você volta imediatamente.

- Ta certo. Ah, e não me esquece de passar o papel com as senhas. Isso vai facilitar para eles.

Déborah entrega um pedaço de papel para Clarice, que o guarda no bolso de trás da calça, e se prepara para sair. Ela abraça a amiga mais uma vez, e dessa vez não consegue evitar cair uma lágrima. Déborah enxuga o rosto da amiga e sorri para ela.

- Vai. Ta na hora.

Déborah estava a postos, já tinha dado o sinal verde para que Rafa ligasse para o orelhão. Clarice estava se aproximando de lá. No caminho, já escutara o telefone tocar algumas vezes, porém não podia correr, para não levantar suspeitas. Sempre atendiam, e depois desligavam dizendo:

- Isso é um orelhão, cara.

- Quem era? – Perguntava a mulher do sujeito que atendeu.

- Deve ter sido engano. O cara já ligou umas duas vezes atrás de uma tal de Clarice.

Ao ouvir seu nome, o coração da garota estava repleto de felicidade. Bastava mais alguns metros e poderia atender o telefone sem problema. Já ia logo tirando o papel do bolso, quando o orelhão toca novamente.

TRRRRRRRRRRRRIMMMMMMM…. TRRRRRRRRIIIIMMMMM

“É o Rafa”, pensava ela. “Estou quase lá”, e apressava o passo. Mas tomou um susto quando ouviu um outro som que não pretendia ouvir naquele momento.

Plim- Plim- Plim- Plim- Plim- Plim

Era o sino de Déborah. Não podia acreditar que por tão pouco não conseguiu chegar até lá. Mas, sem nem olhar o que era, Clarice encaminha novamente para a lan house. Somente quando estava a uma boa distância, é que pode observar. Era o mesmo homem da outra vez. Não imaginavam como sabiam que haveria outro contato telefônico, muito menos no mesmo lugar. E o que mais preocupava, era que ele estava no orelhão, possivelmente falando com m0skito, e fazia um bom tempo que estava ali.

- Avisa pra eles, Déborah.

- Já avisei, assim que terminei de tocar o sino. Mandei abortarem a operação.

- Mas o que ele ta fazendo falando no orelhão até agora?

- Não sei, talvez esteja tentando arrancar alguma informação.

- Melhor agente sair daqui enquanto ele ainda ta lá. Pelo menos ele está distraído.

Não podiam acreditar que tudo tinha dado errado. A Phyto Pharma parecia sempre estarem um passo a frente delas. Voltariam para casa, onde ficariam escondidas durante todo o dia. À noite, Clarice insiste a Déborah para voltar para a lan house, pelo menos para dar alguma notícia de vida, pois o pessoal deveria estar muito preocupado. Aproveitaria para ler o que m0skito falou sobre o telefonema.

Segundo ele, o nome do cara era Custódio Tavares, e era representante comercial da Phyto Pharma Brasil. Teria dado a desculpa de estar lá para oferecer uma proposta de emprego à Clarice Casalino, porém como ela não tinha aparecido, oferecera o mesmo para Rafael. Clarice deu graças a Deus que ele não tivesse ido ao encontro desse tal de Custódio, porém estava preocupado com a discussão que estavam tendo, sobre aceitarem a proposta e serem espiões de dentro da Phyto Pharma. Não concordava de jeito nenhum com aquilo. Mas Clarice não podia ficar lá muito tempo, então escreveria apenas dois e-mails.

Oi Cristiane. Vc que se deu muito bem com a gente, pode repassar este aviso pra galera?

Gente, não acreditem nas palavras desse Custódio. Jamais trabalhei para a Phyto Pharma Brasil. Com certeza quem encontrasse este cara teria o mesmo destino do meu irmão. Ainda bem que você não o encontrou, Rafa.

Encontrem o último vídeo no site oficial do filme Meu Nome Não é Johnny, e denunciem estes bandidos.

Eu e Déb vamos tentar descansar e refrescar a cabeça e torcer para que o ano que vem seja melhor que este que passou.

Ainda podemos aparecer em algum canto da cidade ou em novas chamadas telefônicas. Contamos com a ajuda de vocês para denunciar esses bandidos”

“Oi gente,

Feliz 2008 para tds!!! Mesmo no início do ano, nosso trabalho não para. Neste site foi criado um sistema seguro para que vcs possam ter acesso ao vídeo que denuncia os crimes cometidos pelo Dr. Oto Sirppocci, além de trazer revelações sobre vida de meu irmão.

Para garantir a segurança do nosso sistema, este vídeo foi dividido em partes e cada fragmento esta associado a um enigma. Uma vez revelados, o filme deve ser montado para ser entregue às autoridades para que este médico possa ser preso.

Sei que não é tarefa das mais fáceis encontrar os enigmas certos, mas confiamos muito na inteligência de vcs para agir na frente dos bandidos. Não podemos perder mais tempo. Nosso destino está nas mãos de vcs.”

Este último estaria programado para ser enviado apenas depois da virada do ano, como uma espécie de garantia. Definitivamente não era da vontade de Clarice estar novamente tendo que ficar contatando as pessoas por e-mail e mensagens codificadas, mas infelizmente senhas não são coisas muito seguras de se passarem pela internet, principalmente agora que estavam sendo perseguidas de tão perto.

Terminado o tempo de Clarice na lan house, ela pagaria a sua meia hora, e depois passaria em uma loja de conveniência para comer algo, já que fazia horas que não comia pelo excesso de preocupação. Enquanto comia, pensava em várias coisas, principalmente no pai Ambrósio, que lutou tanto para que ela não embarcasse nessa viagem, como se já pressentisse o perigo que a aguardava. Tinha dúvidas se deveria contar ou não sobre o que estava havendo. Pensou também de como envolveu Déborah em tudo isso, pois afinal ela não tinha nada a ver com a história. E o dia seguinte seria ano novo. Clarice adora festa, e nunca passava reveillon em branco, porém não estava nem um pouco animada para festas. Terminando de comer, Clarice compra um sanduíche e um refrigerante para levar para a amiga, depois paga tudo e volta para a pousada.

Chegando lá, Clarice anuncia a sua chegada. Ela estranha o fato da maioria das luzes estarem apagadas, porém não liga muito para o fato.

- Déborah, trouxe sanduíche!

Não houve resposta. Será que estaria dormindo? Seria normal, já que estavam exaustas. Clarice vai em direção ao quarto da amiga para olhar como ela estava. Porém, quando estava chegando perto da porta, Déborah grita:

- CLARICE! CORRE! ELES ESTÃO AQUI!

Sem pensar duas vezes, ela da meia volta, larga a sacola do sanduíche no chão e desce as escadas correndo. Na pressa, ela se atrapalha, tropeçando nos últimos degraus, causando uma dor muito forte em seu pé. Ignorando a dor, ela levanta e continua a correr em direção a porta, até ser surpreendida, por ninguém menos do que o homem do orelhão. Em uma investida, ele a derruba no chão, lembrando um jogador de futebol americano. Clarice fica tonta com a queda, e sua visão fica embaçada. A última coisa que escuta antes de desmaiar é a voz sinistra do cara.

- Parece que teremos ensopado de língua pro jantar.

CAPITULO VII – NA LINHA COM O INIMIGO

fevereiro 26, 2008

Como esperado, ninguém fazia nem idéia do que aquela receita de ambrosia tinha a ver com toda aquela confusão. Mas aquilo seria a menor das preocupações naqueles dias.

- Manda: “Oi pessoal! Andei meio sumida daqui. Como vocês estão? Tou impressionada, esse fórum não fica movimentado assim a tempos.”

- Saulo: “Nossa, até a Manda voltou a postar.”

- Cris: “Bem vinda de volta, Mandinha”

- Manda: “Brigada, galerinha. Então, tava olhando os últimos acontecimentos. Parece que vocês tão se metendo numa bela enrascada, hein! Hehehe”

- m0skito: “Nem tanto. A Clarice ta pior que agente xDDDDD~”

- Rei Azul: “Que coisa feia! Rindo da desgraça dos outros, Moskovis”

- m0skito: “Não tou rindo. O que eu falei é verdade.”

- Soso: “Bem que agente podia se encontrar de novo no FyqTício. O que vocês acham? ”

- Glenyo: “Demorou”

- Anne: “Finalmente. Já estava ficando com saudades de vocês.”

- m0skito: “Eu também, Anne. Tava com muita saudades ;)

- Manda: “É impressão minha ou pintou um clima?”

Esse encontro parecia ser mais aguardado que o primeiro. Já havia um nível de entrosamento maior entre os participantes do fórum. Como forma de compensar pela última mancada, m0skito chega primeiro que todos, e estava elétrico, de maneira que olhava pro relógio de 2 em 2 minutos. Suava frio. Chegado o horário realmente marcado, as primeiras a chegarem são Polly, Cris e Soso. Poucos minutos depois chegam Glenyo, Alex, Daniel, Manda e Gi. Aos poucos, todos se fazem presentes. M0skito mostra-se mais agitado que o normal com a chegada de Anne ao recinto. Não pôde deixar de parar sua conversa no meio para ser o primeiro a abraçá-la. Talvez ali, o rapaz mostrava uma face sua que ninguém conhecia, bem diferente do estereotipo do “mais zuêro e mais zuado de todos”.

Para a infelicidade de m0skito, não podia ficar para sempre naquele momento de êxtase com a bela Anne. Tinham um caso a resolver, e o grupo precisava dos dois, e vice-versa.

- Gente, antes de sair de casa, dei uma checada na internet. E a Clarice deixou mais um vídeo. – Começa Manda. – Vocês vão achar tão estranho quanto eu, melhor vocês verem por si próprios.

Manda abre seu notebook, e mostra o vídeo a todos. Tratava-se do último vídeo gravado por Clarice na casa de Déborah, antes de saírem de lá. Como esperado, o vídeo deixa todos intrigados.

- Que porra é essa? Se ela teve tempo de mandar esse vídeo inútil, porque não mandou a verdade toda? – Falava Daniel, revoltado.

- É loira, cara – Ironizou Rei Azul.

- Qual o problema com as loiras? – Se levanta Soso.

- Gente, vamos deixar o besteirol de lado. – Gi toma a vez – Olha só, ninguém sabe como ta a situação da Clarice. Pode ser que ela não esteja em condições de mandar algo concreto pra gente.

- A Déborah parecia mesmo muito irritada. Mas se ela tivesse deixado a Clarice falar, agente já teria resolvido o caso resolvido. – Comenta Anne, que por nada no mundo largava a mão de m0skito.

- Nem tanto. Agente precisaria de provas pra isso. – Fala m0skito, mais sério que de costume.

- Será que elas têm essas provas? – Pergunta Manda intrigada.

- Devem ter. – Começa Cris – Afinal, como a Déborah fala, documentarismo ta na veia dela. Ela não parece largar a câmera por nada.

- Eu sei de uma coisa – Glenyo toma a vez – Se por esse vídeo, da pra perceber que o cerco das meninas ta fechando, então não podemos mais ficar somente esperando por notícias delas.

- Eu também acho. – Concorda Alex. – Mas o que agente deveria fazer?

- Procurar diretamente pelas garotas – Diz Maurício. – Esse negócio de ficar só na internet não dá certo.

- E o que te faz pensar que agente vai conseguir encontra-las assim, se nem a própria Phyto Pharma conseguiu ainda? – Pergunta Daniel, levemente alterado.

- Conseguimos decifrar os códigos antes deles, não é? – Responde Rei Azul – Não somos tão amadores assim. Temos que tentar.

A discussão de como, onde e quando procurar pelas duas duraria boa parte da noite. Porém m0skito não tinha muita esperança que saísse algo brilhante dali, já que apenas teorizavam. Para ele, aquela noite reservava-lhe uma missão maior. Passado algum tempo, o rapaz cochicha algo no ouvido de Anne, e os dois saem para um canto mais reservado.

- Rafa, hoje você parece meio tenso. Não estou te reconhecendo.

- Eu sei, você ta acostumado comigo sendo um palhaço, né?

- Não. Não é isso, é que…

- Tudo bem, moça. Relaxe. Eu sei que não sou das pessoas mais sérias do mundo. Mas é que anda acontecendo tanta coisa. Esse lance da Clarice, o final da faculdade, e tantas outras coisas ao mesmo tempo. Estou ficando louco.

- Olha Rafa, Tudo isso jajá acaba. Se preocupa não, ta? Conte com minha amizade para qualquer hora.

- Desculpa, mas eu dispenso.

- O QUÊ!

- Anne! Não quero que você se assuste. – m0skito fica um pouco trêmulo, mas mesmo assim segura a mão de Anne e olha fixamente em seus olhos. – Mas eu não me satisfaria só com sua amizade. O que eu sinto por você é bem maior do que isso. Não me pergunte como aconteceu. Foi tudo tão rápido que nem mesmo deu tempo de reagir. – m0skito para alguns segundos para respirar antes de continuar – Anne, a verdade é que eu realmente estou gostando de você.

Anne fica sem reação. Ela quer se expressar, mas as palavras não saem de sua boca.

- Olha, não precisa me dizer nada, nem tou te forçando a nada. Mas eu precisava te dizer isso. É mais forte que eu. Por favor, não quero que fique nenhum clima estranho entre agente.

- N.. não, Rafa. Não vai ficar nenhum clima estranho não. Só estou sem saber o que dizer. Na verdade, isso era algo que para mim era só algo passageiro, e que logo esqueceria. Mas…

- Mas…? – Aqueles poucos segundos pareciam uma eternidade. M0skito não estava mais controlar o próprio corpo. Quando menos percebeu, já estava com seu nariz encostado no de Anne.

- Eu acho gosto de você.

Nem mesmo o próprio m0skito saberia descrever todas as sensações que tinha naquele momento. Para ele, o mundo podia parar ali que estaria feliz. A lua neste dia estava linda, mas tornou-se apenas um mero coadjuvante desse momento inesquecível na vida dos dois. A cada segundo que seus lábios acariciavam romanticamente os de Anne, ele tinha a certeza de que tinha nascido para aquele momento.

* * *

- Manda: “Achei tão bonitinho os dois juntos *_*”

- Polly: “Kawaii ^____^”

- Rei Azul: “Moskovis desencalhou hein!”

- m0skito: “Pow, galera. Assim vocês me matam de vergonha.

- Glenyo: “Galera. Recebi um depoimento da nossa querida e gatinha Clarice um depoimento com dois números de telefone.
Ela pediu para que eu divulgasse para vocês, mas creio que não publicamente, sendo assim, quem quiser me pede por PM. Ambos os números são do Rio de Janeiro. Rastreando, descobri que ambos são telefones públicos no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, no mesmo local.”

- Cris: “E aí, alguém se habilita a ir lá?”.

- Soso: “Não seria melhor esperar um sinal verde da Clarice para que agente pudesse ir? Afinal, ela nunca viu agente, pode nos confundir com alguém da Phyto”

- Daniel: “É verdade, mas agora devemos ficar atentos para agir a qualquer momento.”.

- m0skito: “E lá vamos nós para o modo Stand By de novo -.-“

- Anne: “Desanima não, amor. Já já isso muda.

- Saulo: “ ‘Amor’? O.o Mas já? ”

Passou-se apenas um dia, e os membros já tinham novidades quentíssimas:

- m0skito: “Pessoal, seguinte: A Clarice me mandou um depoimento pedindo pra ligar pra ela as 14:00. Eu tenho o telefone que o Glenyo pegou, só que infelizmente vou trabalhar até mais tarde hoje. Entrei rapidinho pra dar o recado.”

- Glenyo: “m0sk, esquenta não. Recebi o mesmo depoimento. Vou falar com ela assim que der o horário.

Como prometido, Glenyo espera até as 14 horas para começar a ligar. Infelizmente a moça estava atrasada, e sempre que tentava ligar, recebia um “isso é um orelhão, cara”, que já estava começando a irritá-lo.

- Porra! Se ela combinou um horário, tem que cumprir. – Falava para si mesmo.

Para não piorar ainda mais o seu temperamento, foi novamente para a internet, para pelo menos avisar do atrasado aos demais. Porém, Clarice havia deixado um recado, que só agora pode ver.

“Estou em uma lan-house em frente ao orelhão, morrendo de medo de sair na rua”. Tem um cara de camisa preta e verde, óculos escuros, que ta me seguindo. Continuem ligando. Assim que ele sair eu vou lá atender.”

Depois disso acalmou-se, e aguardaria mais um pouco antes de tentar de novo.

“O cara saiu. Liga Agora

Não perdeu tempo. Voltou para o telefone e ligou imediatamente.

Um…

Dois…

Três…

Quatro…

Cinco… “Cadê essa mulher que não atende, hein!”

Seis…

- Alô?

- Alô, quem fala?

- É o Glenyo.

- Ah! Oi Glenyo. É a Clarice.

- Ufa. Finalmente consegui falar contigo.

- Poizé. Desculpa, mas é que agente ta sendo seguida por um cara esquisito. O cara ta usando camisa e verde, e óculos escuros.

- Eita! Mas você tem certeza que ele não viu vocês, não é?

- Tenho sim, mas vou falar rápido, porque a qualquer momento ele pode voltar. Escuta com atenção. Nós não podemos mais voltar para a casa da Déborah. Eles estão na nossa cola. Estamos refugiadas no Parque Lage, na Rua Jardim Botânico, nº. 414.

- Anotado. Assim que agente puder, agente dá uma passada lá.

- Não, Glenyo. Por favor. Eles podem nos ver ou ver um de vocês, e isso pode piorar tudo. Assim que eu puder, eu mando outra notícia para vocês. Mas o mais importante é: Conseguimos gravar um vídeo, onde o Dr. Oto Sirpocci confessa todos os crimes dele. Estamos bolando um jeito de mandar os vídeos para vocês, para que vocês consigam antes dos bandidos.

- Como agente vai fazer isso?

- Aguarde a nossa próxima ligação.

- Mas…

- Você conhece alguma Cleyde?

- QUEM?

- O pessoal da Phyto Pharma fez algo terrível com essa tal de Cleyde, que trabalhava para eles.

- O que…

Não mais que de repente, Glenyo ouve um barulho como se Clarice tivesse largado o telefone e corrido. A ligação cai nesse momento. Ele chega a tentar outras vezes. Nas primeiras tentativas ninguém atendia, e depois voltaram os velhos “isso é um orelhão, cara”. Desistiu, e então foi contar aos seus colegas de fórum sobre o que aconteceu.

- Manda: “Cleyde era o nome daquela mulher que atendia o telefone quando agente ligava pra Phyto Pharma, depois de terem tirado aquela gravação. A mulher só sabia dizer que eles tavam de mudança, mais nada.

- Cris: “Nossa, nem tentei mais ligar pra Phyto.”.

- Daniel: “É, mas como a Clarice vai fazer para nos mandar o vídeo?”

- Glenyo: “Ela disse que estão bolando um jeito. Sabe Deus lá como”

- Tácio: “Já que não podemos ir até Jardim Botânico, então por que não mandamos cartas, ou algo do tipo?”

- Soso: “Minha nossa! Até o Tácio ressuscitou.”

- Rei Azul: “Cartas seria uma boa, mas se interceptassem, agente mesmo estaria entregando o ouro aos bandidos, dando a localização dela”

- Alex: “Você acha que isso é possível, Rei?”

- m0skito: “Se eu fosse vocês, não confiaria. Ninguém sabe o quão influente eles são. Pelo menos ligações de orelhão tornam as coisas mais difíceis.”

- Gambit: “Não tou podendo participar muito, como alguns já sabem, mas estou tentando acompanhar como posso. Sugiro que fiquem atentos, e não desliguem seus celulares por nada. E fiquem dando refresh nos seus perfis sempre que possível”

A intuição de Gambit não falharia. Passados apenas três dias, novamente Clarice manda notícias, através de depoimentos para Glenyo, m0skito, Polly e Cris.

“Oi Lindinho! Depois de passar estes últimos dias escondidas, chegou nossa hora! Liga praquele número por volta das 14 h! Vamos atrás desses caras!!! Beijos”

Porém, na hora que receberam o recado, Polly e Glenyo ainda estavam dormindo, e Cris estava na aula. Logo, somente m0skito, que vagabundeava em seu trabalho, viu o recado a tempo.

- Anne: “Lindinho?! ¬¬”

- m0skito: “A culpa não é minha o.o.”

- Anne: “Depois agente conversa sobre isso!”.

- Gambit: “Ha ha ha, moska vai apanhar”

- m0skito: “Pois bem, estou aqui a postos. Saí mais cedo do trabalho só pra isso.”

Passam-se alguns minutos, e m0skito arrisca algumas ligações. Porém, o bom e velho “aqui é um orelhão, cara” escolheu m0skito como seu “alvo”. Até, não mais que de repente, Déborah dá um sinal de vida.

- Déborah: “Gente, já estamos por aqui. A Clarice já foi pro orelhão. Daqui da lan parece tudo bem.”

Lendo isso, como se seus dedos estivessem no fast mode, m0skito liga novamente para o número que lhe foi entregue. Para a sua infelicidade, não escutou a voz da moça atendendo ao telefone, porém resolveu arriscar novamente.

- Alô.

- Alô, boa tarde! Por favor, você po’deria verificar se há alguma moça chamada Clarice aí por perto. É uma moça loira.

- Você conhece a Clarice?

Se m0skito conhecia? Como assim? M0skito não consegue esconder a surpresa.

- Conheço sim.

- Eu marquei com a Clarice aqui nesse horário. Sabe de alguma notícia dela?

- Quem que ta falando? – m0skito suspeita

- Aqui quem fala é Custódio.

- Custódio? Daonde você conhece ela?

- Eu marquei aqui com ela, eu sou representante comercial.

- Que estranho. Ela não me falou nada sobre isso.

- E você, quem é?

- Aqui é Rafael.

- Então, Rafael, de onde tu conhece a Clarice?

- Ela é amiga minha. Pediu para que eu ligasse pra esse número. Mas então, você trabalha para qual empresa?

- Você é aqui do Rio mesmo?

O diálogo estava meio tenso. Um queria perguntar mais do que o outro. Como se esperasse que o mesmo tropeçasse.

- Sou sim.

- É daonde?

M0skito pensa rápido. Não podia dar a sua localização exata para um desconhecido, muito menos aquele sujeito tão suspeito. Pensou nos vídeos da Clarice e respondeu a primeira coisa que veio na cabeça.

- Estou aqui na Lapa.

- Lapa?

- É. Então, de onde você conhece ela?

- Eu sou representante comercial. Marquei aqui com ela pragente conversar.

- Mas peraí, é da Clarice Casalino que você está falando?

- É, ela mesma.

- Que estranho, ela não me falou nada. Tem certeza que ela não apareceu por ai?

- Não apareceu não, mas eu acabei de chegar aqui. Pode ser que ela esteja no caminho.

Isso fez m0skito congelar de nervorsismo. Clarice não poderia aparecer por ali, seria pega no mesmo instante. Ele tinha que avisar a Déborah.

- Então vou fazer o seguinte. Vou dar um tempinho aqui e ligo daqui a pouco para saber se ela já chegou.

- Ta ok, então. Vou ficar por aqui.

Ao desligar o telefone, m0skito corre para o computador. No caminho, tropeça no material de limpeza que estava usando na sua sala, além de esbarrar na quina da mesa de centro.

- AAAAI! PUTA QUE PARIU!

Não tinha tempo nem para sentir dor. Avisar a Déborah era bem mais importante.

- m0skito: “DEBORA!!! CORRA!!!! Talvez a Clarice esteja em perigo!!!
Acabei d ligar pra lah!!!!!!!!!!! Atendeu um tal d Custódio, representante comercial… disse q tava esperando a Clarice!!!!!!!
CORRA DEBORA!!!!! TUDO DEPENDE DE VC”

Só deu tempo de m0skito dar um refresh no seu browser para podeer ver a mensagem de Déborah,

- Déborah: “GENTE!! ABORTA!!!! ELES ESTÃO LÁ FORA!!!”

Bem, dessa vez tinha que voltar para o telefone. Afinal, se era mesmo o cara lá fora, tinha que mantê-los ocupado, para que não desse tempo de ver a Clarice. Novamente m0skito liga para o orelhão. Estava trêmulo. A essa altura, Clarice já poderia está nas mãos dos caras.

- Alô.

- Alô, Custódio.

- Oi Rafael, tudo bem?

- Então, nada da Clarice?

- Nada, cara. O que será que aconteceu?

- Não sei. Mas peraí. Ela marcou contigo aí mesmo, nesse horário?

- Foi. Agente ficou de discutir uma proposta de trabalho, para ela trabalhar para gente. Eu represento uma empresa farmacêutica.

- A Phyto Pharma?

- Isso. Você conhece a Phyto Pharma?

- Conheço sim. Quer dizer já ouvi falar dela.

- Você faz o quê, Rafael?

- Nada, sou só estudante.

- Da UFRJ mesmo?

- Isso. – m0skito precisava esquivar rápido das perguntas dele, e fazer ele falar. – Mas então, um dia desses eu até liguei para vocês, só que vocês estão de mudança né?

- Isso mesmo.

- Para onde vocês estão indo agora?

- Não temos ainda nenhum local fixo. Estamos procurando um local.

- Mas então como eu poderia entrar em contato com vocês?

- Tem o nosso e-mail no site. Você pode escrever para lá.

- Então, outro dia eu mandei alguns e-mails para lá, só que não recebi nenhuma resposta.

“Esse moleque pergunta demais, tenho que fazer ele parar de falar” Pensava Custódio enquanto isso.

- Mas então, Rafael. Parece que a Clarice não vai aparecer mesmo. Agente ia discutir uma proposta de trabalho com ela, mas acho que não vai dar. Você não quer vim aqui no lugar dela? Agente pode conversar melhor aqui.

Conversar? Aquilo era uma armadilha das boas, isso sim. Não podia cair na lábia dele.

- Bem, agora eu não posso. Tenho um compromisso agora às 16 horas e tenho que correr. Só estou aqui por que realmente preciso falar com ela.

- É uma pena. Queria muito conversar com você. Estamos precisando de alguém para trabalhar pragente.

- Faz assim então, me passa aí algum número que eu possa entrar em contato com vocês.

- Então, como agente ta de mudança agora, por enquanto estamos sem telefone. Mas se você quiser deixar o seu número agente pode ligar assim que puder.

- O problema é que estou sem celular agora. – Ninguém sabe quem esquivava mais de quem nessa conversa. – Mas então, vocês não têm nem um e-mail para contato?

- Você pode mandar para o meu mesmo. contato@phytopharmabrasil.com.br

- Certo. Ta anotado. Custódio, né isso?

- Isso. Custódio Tavares.

- Ok. Então Custódio, você conhece o Dr. Oto Sirpocci?

- Claro. Ele é o chefe da empresa.

- Entendo.

- Uma pessoa muito boa, por sinal. E de uma mente brilhante.

- É, ele parece ser mesmo bastante requisitado.

M0skito percebeu que não escolheu muito bem as palavras para uma “mini-bajulação”, mas a essa altura o cara deveria ta muito mais interessado nele do que nas palavras que ele dizia. Melhor para m0skito, que não parava de tremer.

- Você saberia algum número que eu poderia falar com ele?

- Olha, infelizmente eu não posso te passar essa informação, é norma da empresa. E até por que hoje ele deve está viajando.

- Saberia dizer para onde?

- Eu também não posso te passar essa informação. Mas então, Rafael. Se você ainda quiser mudar de idéia, posso ficar aqui te esperando. Tenho boa parte do dia livre ainda.

- É, vou tentar. Mas acho que hoje realmente não vai dar.

- Você faz o que mesmo?

- Sou só estudante.

- Você estuda o quê?

- Farmácia – Tinha que falar isso, para crescer o interesse deles.

- Nossa. Isso nos interessa muito. Então ta Rafael, Vou aguardar o seu contato.

- Ta certo.

- E se você mudar de idéia, estou aqui em frente ao Bibi Sucos.

- Ta certo. Prazer, Custódio.

- Prazer.

M0skito estava trêmulo. Era informação demais para ele. Assim que avisou ao fórum, parece que seu nervosismo foi compartilhado com todos.

Anne: “Déborah, você ainda está aí?”

Jessiel: “Manda alguma notícia, por favor.”

E mais comentários do tipo foram postados durante o dia inteiro. Infelizmente para os membros do fórum, não teriam mais notícias das garotas durante aquele dia. Ficariam na incerteza durante algum tempo ainda.

CAPÍTULO VI – A VERDADE VEM A TONA

fevereiro 21, 2008

Nos últimos dois dias, as duas resolveram ficar em casa refletindo sobre toda a situação, e pensando sobre o que fazer. Apesar de não terem feito grandes esforços, Clarice sentia-se exausta. O sonho que teve no ônibus tinha se repetido pelas duas últimas noites, como uma espécie de premonição. As coisas só parecem ficar melhores quando elas recebem notícias do pessoal do fórum, informando sobre o anagrama Matar Clarice e do conteúdo das tatuagens de Fernando.

- Matar Clarice? – Déborah se espanta – Esses caras não tão mesmo de brincadeira. Já até descobriram quem você é. Clã, acho melhor começarmos a pensar em outro lugar pra ficar. Aqui em casa pode ser um alvo muito fácil.

- É! Você tem razão. Você conhece algum lugar onde poderíamos ficar?

- Pode ser que eu consiga um desconto na pousada que um amigo meu trabalha. Vou ver o que eu consigo fazer.

Enquanto Déborah corria atrás de um possível esconderijo, Clarice revia várias vezes os vídeos, as fotos, e tentava associar com as novas descobertas. De agora em diante, até mesmo acessar a internet era perigoso. Se tivesse que entrar em contato com alguém, teria que ser mais cautelosa. Além disso, mesmo que fosse extremamente arriscado, teriam que voltar até a Phyto Casa e conseguir mais provas. Isso já tinha deixado de ser uma questão de investigação sobre o irmão, e passara a ser uma questão de sobrevivência, de caçar ou ser a caça.

- Clã, falei com meu amigo. Agente pode passar um tempo lá que depois agente acerta as contas com ele. Mas ele só vai poder receber agente daqui a uns dois dias, devido a lotação. Sabe como é alta-estação né?

- Tudo bem. Agente pode aproveitar para entrar na Phyto Casa de novo, e encontrar mais evidências.

- Que idéia é essa? Você já está sendo perseguida, e ainda quer voltar lá? Isso é suicídio!

- Tem alguma idéia melhor? Mais cedo ou mais tarde, se agente ficar só fugindo, eles vão achar agente. Nossa única chance é reunir as provas e denunciar esses caras antes que eles nos peguem.

As duas discutiram um bom tempo sobre isso, e Clarice acabou convencendo Déborah que essa seria a ação “menos ruim”. E começava os preparativos para uma nova invasão.

Clarice aproveitou os vídeos, além do que se lembrava para tentar fazer uma espécie de mapa da Phyto Casa, levando em consideração que já conheciam boa parte do prédio, não era difícil saber o quanto faltava explorar. Dessa vez iriam tentar pular por outro lugar, para evitar cair em possíveis armadilhas. A invasão estava marcada para o dia seguinte, então a última coisa que fizeram foram deixar o pessoal do fórum informado.

No dia seguinte, já com toda estratégia traçada, chegaram à Phyto Casa com mais segurança. Escolheram um lugar melhor para pularem sem que fossem vistas. O Local era perto do terreno onde foram encontrados os corpos. Ao pularem, teriam ainda que caminhar bastante antes de chegar ao prédio. Sem perder mais tempo, Déborah liga a sua câmera, e começa a filmar.

Aquela parte do terreno era desconhecida para as duas, portanto poderia ser que demorassem em achar o prédio. Ao andarem por cerca de uns 20 minutos, elas já conseguiam avistar o prédio ao longe. Caminhando um pouco mais, chegaram a beira de um desfiladeiro. Não era muito grande, porém uma queda dali poderia machucar bastante.

- Gente, esse lugar é enorme. – Fala Déborah. – Será que eles só produziam remédios aqui?

- Com certeza não – Responde Clarice em tom de ironia.

- Clarice, segura aqui a câmera que eu vou ver se consigo ver algo lá embaixo.

- Ta certo.

Déborah entrega a câmera para a amiga, e sai, tentando procurar algo. Clarice vai na direção contrária, tentando filmar alguma coisa. Porém, estava tão concentrada na câmera que acabou não prestando atenção onde pisava. Nesse descuido, ela pisa em falso na beira do desfiladeiro.

- AAAAAAAAAAAAAAAH!!!!

Enquanto seu corpo rolava abaixo, Clarice tentava desesperadamente segurar-se em algum galho, ou algo parecido, porém estava muito veloz e não conseguia parar. Para sua sorte, no final havia uma enorme quantidade de folhas mortas, que amaciou um pouco a queda dela. Caiu de cara no chão. A dor deixava-a tonta, e demorou um pouco até consegui se levantar. Sua visão estava turva, e por algum motivo não conseguia ficar parada em pé. Quando começa a raciocinar melhor, Clarice percebe o odor que estava ao seu redor, e agora entendia o motivo de sua tontura. Para não cair denovo, ela tenta se apoiar em algo. Quando coloca a mão em algo que parecia ser uma pedra, vê que se enganou, e o que estava apoiando era na verdade um tórax humano semi-aberto. Imediatamente ela solta outro berro. Porém, recobrando melhor sua visão, Clarice vê-se cercada por corpos por todos os lados, enterrados de maneira precária, como se quem fez o serviço não estivesse com a mínima vontade de fazê-lo. Também era possível ver marcas de queimada por todos os lados, como se o fogo não tivesse sido suficiente para consumir aquela quantidade de combustível humano.

- DÉBORAAAAAH!! – Grita por socorro.

Uma voz ao longe, responde ao pedido.

- Clarice?! O Que aconteceu?

- Eu caí! Não consigo subir. Acabo de descobrir onde eles jogavam os corpos. Ta um cheiro horrível aqui. Me ajuda.

- Vou tentar pegar alguma coisa pra te ajudar. Mas tenta subir o máximo que puder.

Como a amiga pediu, Clarice se esforça para subir o quanto pode, porém não tinha muitas forças depois da queda. Alguns minutos depois, Débora volta com o maior galho que conseguiu. Com muito esforço de ambas, Clarice consegue segurar na ponta, facilitando que ela conseguisse subir de volta. Finalmente na parte de cima, Clarice passa a mão na testa, mas percebe que sua ferida não é grave. E tenta se limpar o máximo que der, enquanto Déborah verifica se aconteceu algo grave com a câmera.

- Olha só, acho melhor a câmera daqui pra frente ficar só comigo. Haahaha!

- Você ainda ri?! Você não tem noção do cheiro que tava lá embaixo.

- Ai, desculpa. – Faz um silencio momentâneo – Bem, mas vamos ao que importa. Bora logo entrar no prédio e vasculhar o que tem por lá.

Apesar de caminharem ainda um bom pedaço, elas seguem pelo caminho sem mais nenhuma grande surpresa. Chegando ao prédio, iriam tentar entrar pelo outro lado, a parte desconhecida. Com certeza lá tinha alguma outra evidência.

Ao abrir uma porta de ferro, as duas preocupam-se em não fazer muito barulho. Por sorte, onde tinha a primeira porta depois do portão de ferro, havia uma janela ao lado. Lá, puderam ver rapidamente que alguém vinha caminhando no corredor. Eram três pessoas. Todos de jalecos brancos. Uma delas, as duas já conheciam muito bem. Dr. Oto Sirpocci. Os outros não faziam idéia de quem fossem. Eram um rapaz e uma moça. Os dois muito jovens. E para alívio das duas, eles não sairiam pela porta do corredor. Entraram numa sala um pouco mais a frente. Essa era a chance de espionarem algo.

* * *

As duas chegaram em casa por volta das 7 da noite. Clarice só parou de chorar quando terminou o banho. Depois de se acalmar mais, ela se veste, e corre para o computador. Teria que mandar a mensagem para os membros do fórum o mais rápido possível, antes que chegassem até elas. Na pressa, Clarice liga logo a câmera e começa a falar.

- Oi gente! Nós descobrimos tudo! Aquele Dr.Oto Sirpocci é um pilantra. Ele fazia coisas horríveis lá dentro. Coisas desumanas.

Neste momento, como em um flash, Déborah entra no quarto e vê a cena. Sua reação é violenta.

- CLARICE, CHEGA! Você, não reparou que nos metemos com pessoas perigosas?! Eles estão lá fora, atrás da gente, e você parece obcecada!

– Mas…

Nesse momento, Déborah olha para a câmera ligada.

– DESLIGA ISSO!

Déborah desliga a câmera, deixando Clarice sem ação.

- Vamos logo sair de casa, aqui não é seguro. Agora que nos metemos nessa roubada, vamos ter que dar um jeito de sair dela. E dessa vez não vou fazer todas as suas vontades. VAMOS EMBORA.

Clarice não tinha nem mais forças para tentar discutir. As revelações daquele dia tinham sido muito fortes, ela estava muito abalada ainda. Ela apenas obedeceu a sua amiga, arrumando as roupas e indo embora. Quando pegaram o táxi, já era cerca de umas 9 da noite, dirigindo-se para a pousada do amigo da Déborah.

CAPÍTULO V – MARCAS

fevereiro 19, 2008

Clarice não conseguiu dormir muito. O dia anterior tinha sido muito intenso para ela. Além disso, tinham visto o rosto dela. Deveria ser questão de tempo descobrir quem era.

- Bom dia, Cla.

- Oi! Bom dia amiga. E Então, hoje vamos ao IML, não é?

- Poizé! Lá não é tão longe quanto o local de ontem, então não vai ser tanto problema.

- Que bom! Bem, olha só! Recebi alguns e-mails de algumas pessoas que se interessaram pelos vídeos. Parecem mesmo dispostas a ajudar.

- Isso é ótimo! Mas vamos logo, depois você responde os e-mails. Quero logo terminar com isso.

Novamente tomam um café-da-manhã bem reforçado. Déborah pega a câmera, já com a bateria recarregada, leva alguns biscoitos, a velha garrafa de suco, e partem para a parada de ônibus.

Em um pouco mais de meia hora, as duas chegam ao local desejado. Antes de irem ao IML, Clarice pede para passar em uma farmácia antes, pois ela queria filmar uma coisa. Ligada a câmera, ela começa a falar:

- Vamos mostrar agora como é fácil comprar um remédio da Phyto Pharma Brasil sem receita médica.

As duas caminham em direção a drogaria, vão até o balcão onde o vendedor as recebe.

- Bom dia, senhora.

- Bom dia – Clarice responde – Vocês têm Emagre100.

- Do laboratório da Phyto Pharma? Temos sim.

- Mas tem um probleminha, eu esqueci a receita.

- Tudo bem, não precisa de receita não.

Nesse momento elas já haviam conseguido o que queriam, mas precisavam sair dali sem suspeitas. Déborah desliga a câmera, enquanto Clarice aguarda o rapaz voltar.

- Aqui está, senhora. São R$53,95.

- Nossa! Na outra farmácia estava mais barato. Vou dar uma pesquisada e qualquer coisa eu volto. Obrigada.

Agora finalmente as duas dirigem-se até o prédio do IML. Antes de entrarem, Déborah novamente liga a câmera, e Clarice começa a falar.

- Estamos em frente ao Instituto Médico Legal, no centro do Rio de Janeiro. Vamos até lá ver o que descobrimos sobre o meu irmão.

Escondendo a câmera, Déborah e Clarice entram no prédio. Clarice identifica-se como irmão do falecido, tendo acesso ao necrotério. Um enfermeiro é encarregado de levá-las até o corpo que supostamente seria de Fernando.

Chegando na sala, as duas sentem-se muito mal. Não era um ambiente nem um pouco agradável de estar. Mais a frente, o enfermeiro chega até a mesa onde o corpo estava coberto. Ao se aproximarem, ele retira lentamente o pano. Clarice podia ver claramente. Tinha certeza de que era ele, pois lembrava muito Seu Ambrósio nas fotos que ela tinha visto quando ele era mais jovem. E o mais estranho de tudo eram umas coisas estranhas que tinha tatuado em seu corpo. Não fazia sentido algum. Intrigada, Clarice pergunta:

- Você sabe que marcas são essas?

- Não temos certeza. Parece um tipo de tatuagem caseira, muito semelhante ao que costumam usar em prisões. E não fazemos idéia do significado delas.

- Obrigada.

O enfermeiro sai. Deixando as duas a sós com o cadáver. Enquanto Clarice fica paralisada, olhando pro irmão que sonhou conhecer a vida toda, Déborah tira algumas fotos, pois ficariam melhores de visualizar do que se filmassem. Depois, já não havia mais o que fazer ali. Déborah leva Clarice pra fora do prédio, e sugere dar um passeio pra esfriar a cabeça.

Clarice acabou a sugestão da Déborah, e as duas foram juntas até a Pedra do Arpoador, onde aproveitaram pra descançar e matar um pouco a fome. Clarice estava muito calada, o que deixava Déborah sem jeito para puxar assunto. Sem saber muito que fazer, ela pega a câmera novamente, e começa a filmar. Ficou meio em dúvida se dava mais foco a linda paisagem ou a linda amiga.

- Clarice! – Chama atenção da amiga, que se vê seriamente incomodada de estar sendo filmada naquele momento tão frágil. – Eu sei que é um momento difícil. Puxa, não sei nem o que falar.

Clarice respira um pouco antes de começar a falar.

- Puxa! É difícil ser apresentada ao cadáver do irmão. Sempre quis ter um, e quando descubro sobre ele, ele ta morto.

- Entendo. – Faz-se alguns segundos de silêncio, e Deborah continua – Mas olha só, tenta se animar um pouco. Olha que paisagem linda. Você está em um dos lugares mais lindos do mundo. Estamos na Pedra do Arpoador – Ela aproveita para filmar um pouco mais a paisagem. – Aliás, você sabe por que se chama Pedra do Arpoador?

Essa última pergunta foi totalmente ignorada por Clarice. Déborah fica mais sem graça ainda, e sai um pouco de lá, com a descubra de que vai comprar mais suco para reabastecer a garrafa. Não conseguiu ir muito longe, ficou filmando a menina de longe, que quase não se mexia. Mesmo em um momento como esse Deborah não podia deixar de pensar quanto que Clarice era linda. Minutos depois ela volta, e uma coisa que chamou atenção foram as pixações feitas na grande pedra. Nisso, aproveita para falar.

- Gente, já que estamos falando de crimes, gostaria alertar a galera para essas pixações aqui na Pedra do Arpoador. Isso é um absurdo, é crime ambiental. Vamos ter consciência disso, ok?

- Déborah – Chama Clarice, fazendo com que Déborah voltasse a filmar a amiga. – Por falar em pixações, você viu aquelas tatuagens estranhas do meu irmão? Me lembrou aquele filme que o cara tatuava o próprio corpo para depois se lembrar das pistas. Será que queria dizer algo com isso?

- Não sei. Acho melhor agente voltar para casa e dar uma checada na internet. Talvez alguém da comunidade possa ajudar. Vamos?

- Vamos.

Como haviam combinado, foram para casa para pesquisar mais alguma coisa. Não encontraram muito. Descarregaram os vídeos e as fotos daqueles dias, e postaram na internet. Clarice também aproveitou pra responder pelo menos um e-mail dos que tinha recebido do pessoal da comunidade. Era de uma garota chamada Anne, e pareceu ser de confiança. Não demorou muito e elas pegaram no sono. Não haviam decidido ainda qual seria o próximo passo. Portanto Clarice podia dormir mais naquele dia.

CAPÍTULO IV – PHYTO PHARMA BRASIL

fevereiro 14, 2008

Como haviam planejado as duas acordaram cedo. Clarice foi a primeira a tomar banho, enquanto Déborah preparava o café-da-manhã. Este teria que ser reforçado, pois não sabiam quanto tempo iriam levar para levantar as informações que queriam, nem ao menos se teriam tempo para almoçar.

Terminado o café-da-manhã, Déborah pega todo o seu equipamento de filmagem, pilhas extras, além de alguns pacotes de biscoitos e uma garrafa térmica com suco. Clarice apenas leva um pouco de dinheiro, e a Xerox de sua identidade. Seu coração estava acelerado. Não tinha nem idéia do que poderia descobrir com aquilo.

Foi uma viagem difícil. Tiveram que pegar dois ônibus até chegar lá. Era muito longe, além do aperto e do calor de 38°. Parecia que o banho que haviam tomado não adiantou muita coisa. Mas agora já era tarde pra isso.

Chegando ao bairro da Pedra de Guaratiba, Clarice confirmou o que Déborah falou antes. O Lugar não era nem um pouco receptivo. O maior medo era com relação à câmera digital, pois se a levassem não teriam como registrar nada, além do prejuízo financeiro. Começaram então a perguntar para as pessoas sobre os corpos encontrados, e o local. Todos fugiam, ou negavam saber de algo. Estava na cara que ninguém queria se envolver. Encontraram então uma senhora de certa idade, com cara de choro. Hesitaram um pouco antes de perguntá-la. Mas por um triste azar do destino, o corpo de sua filha também estava entre um dos encontrados.

- Me desculpo por incomodá-la com isso, senhora.

- Tudo bem, minha filha. Você está sofrendo o mesmo que eu. É direito seu saber das coisas.

- Desculpe a pergunta, mas a sua filha estava envolvida nos conflitos recentes.

- Não, não! Ela era uma paciente da Phyto Casa. Provavelmente levou uma bala perdida. Triste…. ic… ic….

- Phyto Casa, hein! Vamos ter que dar uma olhada lá depois que passarmos pelo terreno.

- Não há mais nada lá! Todos os corpos já foram mandados para o IML.

- DROGA! – Grita Clarice.

- Agente passa lá também, Cla. – Diz Déborah. – Muito obrigada, senhora.

Chegaram atrasadas. Esse era o pensamento que Clarice tinha naquele momento. Agora tinham que recuperar o tempo perdido. Enquanto isso, Déborah filmava tudo. Isso incomodava um pouco Clarice, porém ela sabia que ela estava fazendo aquilo para ajudar. Alem do mais, o próximo passo era chegar até a Phyto Casa. Segundo o que leram na internet na noite anterior, a Phyto Pharma Brasil era uma empresa especializada na manipulação de remédios visando curar os males da depressão, e a Phyto Casa era a clínica de tratamento deles. Lá tinham também um telefone, e vários emails da equipe responsável. Mas de qualquer forma, ela não engoliu aquela história de bala perdida. Se era paciente da Phyto Pharma, então com certeza tinham alguma coisa a ver.

Finalmente, depois de arrodearem, chegaram ao local que seria a Phyto Casa. O mais estranho era que estava tudo fechado. Não havia ninguém lá.

A vontade de pular a cerca era grande. Porém pensaram melhor, e resolveram, antes disso, perguntar para as pessoas em volta se sabiam de alguma coisa. A maioria das pessoas não sabia de nada, como era de se esperar. Até que conseguiram alguém, um senhor de meia idade, completamente careca e aparecia um tanto quanto estranha, de modo que lembrava o “Tio Chico”, da família Adams.

- Moço, o senhor sabe se esse prédio ainda funciona? – Clarice pergunta.

- Olha, agora não está mais. Mas a cerca de um mês estava funcionando sim.

- Mas o senhor sabe se ainda vem gente aqui visitar o local?

- De vez em quando ainda aparece algumas pessoas, ficam durante pouco tempo e vão embora.

- E o senhor conhece alguém daqui ou que possa nos dar mais informações?

- Infelizmente não, mocinha.

- Hmmm… Ta bom então. Obrigada.

Déborah, como sempre não parava de filmar um minuto. Parecia que sua câmera tinha espaço infinito para registros.

- Bem, amiga. Não tem jeito, vamos entrar.

Apesar de não gostar muito da idéia, Déborah acabou cedendo sem falar. Não queria atrapalhar a amiga que veio de tão longe, e sabia que sem ela, Clarice não sobreviveria naquela cidade.

Após observarem o local durante um tempo, acharam um lugar por onde poderiam subir sem que chamassem atenção. Era um muro escorregadio, além de fedorento. Clarice irritou-se por sujar sua roupa daquele jeito. Do lado interno, o lugar tinha muito mato. Andaram um bom pedaço antes de encontrarem alguma coisa. Na frente, encontraram um prédio que de longe lembrava muito um presídio. Observaram bastante o lugar antes de adentrarem. Entrando lá, Clarice começa a lembrar-se do filme Bicho de Sete Cabeças, com Rodrigo Santoro. Alem de muitas pichações, o lugar cheirava a um químico que as meninas não souberam identificar. Os corredores eram todos gradeados e os banheiros davam à impressão de que a qualquer momento iriam sair coisas vivas de lá. Mais a frente, elas entraram em uma sala onde no passado teria sido o laboratório da clínica. Havia uma bancada cheia de vidros de vários tamanhos, cheios de produtos químicos lacrados. As duas não faziam nem idéia pra que aquilo servia. Fora que tinham nomes que elas só lembravam por causa das aulas de químicas que eram obrigadas a assistir no colégio. Cloreto de Hidrogênio, ácido clorídrico, solução de Drabkin e outros nomes chatos que não faziam questão de aprender, apenas de filmar.

Tinham mais coisas para investigar, portanto não ficaram mais tempo no laboratório. Seguiram pelo corredor, onde no final ele daria a um lance de escada que desceria. Mas antes de seguir o corredor até o final, pararam diante de uma janela, onde de lá poderiam ver alguém estacionando um Siena prateado e saindo do carro falando ao telefone. Era um homem que tinha por volta dos 40 anos, vestia um jaleco branco e fazia o estilo “boa-pinta”. Tinha uma voz alta e forte, e por isso não foi difícil escutar o que dizia.

- Rápido Déborah. Filma ele! – Cochicha Clarice.

- Calma! Já tou!

- Alô! – Diz o homem – Ernesto?! Por onde tu andou ontem? Tentei te ligar o dia todo e nada.

Faz-se silencio.

- Bem, eu tou chegando aqui no prédio antigo. Vim pegar uns últimos papéis e me livrar de mais algumas provas. Temos que deixar esse local livre de suspeitas. O Custódio a essa hora deve ta revirando o local também. Tomara que ele já tenha dado um jeito melhor naqueles corpos.

Novamente silêncio.

- Poisé. Mas com o tempo agente resolve isso. E como andam os negócios com aqueles caras da Austrália?

Um silêncio mais prolongado é tido neste momento, enquanto o homem abre a porta traseira esquerda de seu carro e pega uma maleta preta.

- Muito bem! Essa é uma oportunidade única. Então me liga quando tiver mais alguma novidade, ok? Até mais.

Ao desligar o telefone, as meninas percebem que o homem misterioso não estava com muito bom humor. E sem dúvida não era alguém de boa índole, principalmente quando ouviu a palavra “corpos”.

- Filmou o rosto dele direitinho? – Pergunta Clarice, quase tremendo.

- Peguei tudo. Deu até pra pegar a placa do carro.

Por um momento, as meninas acharam que o homem as tinha visto pela janela. Apenas um susto rápido, para alívio das duas.

Tinham que se esconder naquele momento, resolveram continuar pelo corredor, visto que provavelmente não iriam dar de cara com o homem misterioso, já que seguiam em direções diferentes. Clarice ia na frente, enquanto Déborah continuava a registrar tudo.

- Nossa! – Falava Clarice, horrorizada – Que lugar macabro! AHHHH!!!

Clarice viu ao começar a dobrar o corredor que alguém ou alguma coisa estava lá. Nem parou para ver o que era, saíra correndo de volta sem nem pensar. Déborah, assustada com o grito, fez o mesmo, nem mesmo parando para perguntar o que assustou a amiga. Seus passos ecoavam por todo aquele local, sem nenhuma furtividade. Com certeza dali dificilmente sairiam. Clarice só pensava que a qualquer momento iria deparar-se com o homem da janela. Por sorte, o local estava, alem de muito sujo, molhado. Ao passarem por uma das portas que haviam visto, puderam escutar o som de alguém que provavelmente teria escorregado, e isso as fez ganhar muito tempo, visto que forçaram mais ainda as suas pernas. Faziam realmente muito tempo que não corriam daquele jeito. Como a maioria das mulheres, o pensamento de “estar gorda” rondava a cabeça das duas.

- O que… foi… que você… viu? – Pergunta Déborah, ofegante.

- Não sei… Apenas vi um rosto que subia a escada… pff… pff… Ele me viu.

- Vamos logo pra casa antes que mais alguma coisa aconteça.

A única coisa que pensavam naquele momento era afastar-se do lugar o mais rápido possível. Portanto, ao pular novamente o muro, pegaram o primeiro táxi que parou, e andaram por uns 4 ou 5 quarteirões, onde poderam parar para tomar algo, e dali irem tranqüilas para casa.

Já era noite, por volta das 6. As duas chegam exaustas. Déborah larga as coisas no chão e se joga na cama. Clarice, no entanto, pega a câmera que Déborah deixou jogada e parte logo para o notebook descarregar e assistir os vídeos.

Após ver e rever os vídeos várias vezes. Clarice começa a digitar rapidamente, navegar sites, procurar informações em sites de busca, fazer anotações e tudo mais. Déborah começa a estranhar.

- O que você faz tanto aí?

- Estou procurando informações. Vou descobrir de qualquer maneira o que realmente o pessoal da Phyto Pharma realmente faz e saber qual a relação dele com meu irmão.

- Você realmente quer ir atrás disso? Ninguém sabe quem são essas pessoas. Podem ser perigosos.

- Amiga, eu vim até o Rio pra descobrir a verdade sobre o irmão que nunca conheci. Não vai ser agora, que temos uma pista, que eu vou parar.

Déborah lança um suspiro de decepção. E depois volta, sabendo que mais do que nunca Clarice iria precisar de seus cuidados.

- E então? Descobriu alguma coisa?

- Já sim! Busquei muito pela placa do carro daquele homem que filmamos. O nome dele é Oto Sirpocci, e adivinha só: Ele é, segundo o site da empresa, o Médico Psiquiatra da Phyto Pharma Brasil. Com certeza deve ser um dos manda-chuvas de lá. E o homem com quem ele falava no telefone deve ser Ernesto Galhardo, o farmacêutico.

- Fico pensando o que eles tavam querendo com Australianos.

- Poizé. Ah, e tem mais. Liguei para o telefone de lá. Entrou uma mensagem automática estranha, dizendo que a senha era T – R – C – A – A – M – R – I – A – L – C –E. Não faço idéia do que seja. Já tentei entrar na intranet do site deles, mas não deu em nada.

- E aí você resolveu colocar os vídeos na internet e pedir ajuda?

- Como você sabe?

- Estou vendo esses fóruns abertos. Hehehehe.

- Poizé! Sei que parece loucura. Mas precisamos de ajuda. Tenho certeza de que encontraremos alguém que poderá nos ajudar.

CAPTÍTULO III – MELHORES AMIGAS

fevereiro 11, 2008

Clarice passa a maior parte da viagem escutando seu mp3 player em volume altíssimo, pois queria esquecer todas aquelas brigas dentro de casa. Sentia-se muito mal por certas palavras que disse a seu pai. Não merecera tanto. Afinal, era sei pai, e apenas queria o seu bem. Mas não era hora de pensa naquilo. Deveria relaxar e pensar como aproveitar o máximo seus dias no Rio. Não demorou muito e Clarice pegou no sono.

Via-se ao lado de Déborah entrando em uma sala desconhecida. Nela, havia uma mesa de escritório com pilhas e mais pilhas de papel, um computador que mais parecia uma máquina de escrever de tão arcaico, um telefone fora do gancho que após verificar viram que estava sem linha. Na parede, uma réplica do quadro O Grito, do pintor norueguês Edvard Munch. O lugar cheirava a mofo, e Clarice estava a ponto de desmaiar por causa do calor, pois o ar condicionado não estava funcionando, apenas fazia um barulho extremamente incômodo. Resolveu vasculhar o computador. Até doía nos dedos fazer isso, de tão duro que o teclado estava. Demoraram a encontrar algo que realmente valesse a pena. Uma planilha na lixeira, com uma lista de telefones. O curioso é que eram todos números de fora do país. Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, França, Japão… Até mesmo de países que as duas nunca ouviram falar. Porém não havia mais tempo, teriam que sair dali, pois eles estavam chegando. Na ansiedade, Déborah puxa seu pendrive com tanta rapidez que o deixa cair no chão, de maneira que ele desliza até a porta da sala. Sem pensar, corre em direção ao dispositivo. Seu coração, que já palpitava bastante, quase que salta de sua boca com o susto que leva. Um rapaz alto, moreno, cabelos bagunçados, cigarro na boca, um bisturi na mão esquerda e a cara de quem iria matar para se alimentar; as surpreende ao abrir a porta e fazer com que o pendrive fosse para a parte mais distante da sala.

- Pra gente intromedita, agente arranca a língua e faz churrasco com elas.

Aquela voz de psicopata fez Clarice tremer a ponto de derrubar o mouse. E como se houvesse um salto de tomada de filmes, em um instante as duas estavam amarradas em cadeiras d alumínio, enroladas com silver tape. E novamente o rapaz com o bisturi segura o rosto de Clarice, olhando assustadoramente para ela e pronuncia:

- Diga “A”, mocinha! HAHAHAHAHAAHAH!

-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!!

Recobrando a conciência, Clarice sente-se envergonhada em ver o ônibus inteiro olhando para sua cara. O seu vizinho de poltrona, um rapaz raquítico e óculos fundo-de-garrafa a la Wood Allen segura em sua mão e diz:

- Você está bem moça? Quer um copo d’água?

- Não. Tudo bem. Obrigada.

- Se você quiser, gatinha, eu posso ficar aqui pra te proteger. – Diz o rapaz, passando o braço pelo ombro da garota.

- Cai fora! – Devolve Clarice, tirando o braço.

Finalmente o ônibus chega à rodoviária. Clarice pega sua bagagem rapidamente, pois queria ser uma das primeiras a descer. Como não tinha deixado nenhuma mala no compartimento inferior, sai logo. E seu rosto ganha um imenso sorriso ao ouvir lá longe um grito de uma garota esbelta, de óculos e com roupas um tanto velhas.

- CLARIIIIICE!!

Mesmo com todo o peso da bagagem, ela corre em direção à amiga. Chegando perto, larga as malas lá mesmo e abraça a amiga, rodando-a no ar.

- Nem acredito que finalmente estou aqui, amiga!

- Finalmente, né! Já tava pensando que você tinha desistido!

- E perder as baladas cariocas com minha melhor amiga? Nunca! Hahahah! Vamos logo, tenho um monte de coisa pra te contar. Você acredita que fui assediava por um cara ridículo no ônibus?

Era noite, e as duas não paravam um minuto de conversar. Pareciam que não tinham nem parado para respirar. E Deborah agia como se sua câmera digital fosse parte de seu corpo.

- Você não larga essa câmera, né amiga.

- Clarice, eu sou fotógrafa! Documentarismo está na minha veia! Ahahahahah.

- E então, onde você vai me levar hoje?

- Agente vai lá na lapa.

- Lapa?

- É! Deixa eu tentar te explicar… A lapa… hmm… Assim, tem coisas para todos os gostos. Todo mundo que vai lá gosta, e é um visual irado. Aliás, falar em visual irado, – fala em direção a câmera-, vocês já entraram no meu flickr? Tem o endereço lá no meu Orkut. Passem lá.

- Mershandise não vale, hein. Hahahahahaha.

Passado um tempo, as duas resolvem não ir para a Lapa naquele dia, visto que Clarice estava um pouco cansada da longa viagem e também que elas teriam que acordar cedo no outro dia. Mas para não dizer que não saíram naquele dia, as duas foram até um pub na esquina da rua onde Déborah morava. Lugar simples, com certo movimento e um jukebox com uma boa coletânea de Rock Classico. Aproveitaram para conversar sobre as futuras investigações.

- Então, Deborah, como eu tava te falando, a matéria do jornal fala que os corpos foram encontrados em um terreno no bairro de Pedra de Guaratiba. Sabe que lugar é esse?

- Conheço sim! É lugar, digamos… Pouco Habitado. Lá vive tendo conflito com a polícia e as comunidades lá perto.

- Poizé, e o terreno fica atrás de uma casa de repouso chamada Phyto Pharma Brasil. Agente podia dar uma passada lá pra ver alguma coisa.

- É! Mas sei que agora é tarde e que agente precisa dormir, pra ta bem dispostas amanhã.

Sem demora, as duas pagam os chopps que tomaram e vão andando para casa.

CAPÍTULO II – MOTIVOS A MAIS

fevereiro 8, 2008


Na internet, costuma-se entrar todo o tipo de gente, dos mais intelectuais ao pior dos criminosos. Por esse motivo, muitos optam por usar apelidos (também conhecido como Nick ou nickname) para sua própria segurança, ou até mesmo por se identificar melhor com seu pseudônimo. Outros não acham que isso é necessário. Mas o que motiva pessoas de cantos diferentes a se encontrarem e conhecerem outros que são tão diferentes de si? Essa resposta talvez não se encontre nesta crônica, porém tal resposta talvez explique a aparição de tantos personagens intrigantes.

Nem mesmos eles imaginariam que seus destinos iriam se cruzar, e que em tão pouco tempo iriam passar por perigos, intrigas, aflições e paixões. E pensar que tudo começou quando cada um deles estava navegando tranquilamente na internet, fazendo seus contatos, respondendo scraps e mensagens instantâneas quando que, como que se fosse obra do destino acabaram “tropeçando” em uma série de vídeos curiosos. Como se alguém tivesse precisando de ajuda naquele momento. Será realidade ou ficção? Talvez a mistura dos dois.

Os vídeos mostravam duas garotas. Inicialmente em um quarto qualquer, falando sobre baladas, diversão e tudo mais. E mais pra frente mostravam as duas entrando e vasculhando um hospital abandonado, cheio de coisas estranhas. O que diabos aquelas duas estavam fazendo em um lugar daqueles? Deveriam estar se divertindo como diziam nos primeiros vídeos.

- Glenyo: “Que vídeos estranhos. O quê essas duas loucas estão fazendo num lugar desses entregues as moscas?”

- m0skito: “ Ei Glenyo, me inclua fora dessa”

-Rei Azul: “Hahahahha! Moskovis se deu mal denovo”

-m0skito: “ Te odeio, rei -.-“

Comentários desse tipo rolavam na comunidade virtual, onde os estranhos vídeos foram parar. Descobriu-se apenas que o nome da menina era Clarice Casalino, por causa do nome de registro do site de vídeos.

-Daniel: “Que mina louca! Se ela realmente está em perigo, então não deveria se identificar desse jeito. Eu no lugar dos caras, já teria aparecido na casa do cara e estripado a mina.”

-Cris: “Olha quem fala! Não é você que usa o nome real aqui em vez de algum nick?(Se bem q eu tb) xD”

-Daniel: “Vc n sabe se esse é mesmo meu nome real. Vc nunca me viu na vida. Ahahahahaha”

-Anne: “Mas então, o que diabos significam aquelas coisas codificadas nos vídeos?”

-Soso: “Parece criptografia. Esse tipo de mensagem não me é estranha. Estou tentando algumas coisas aqui, mas ainda sem sucesso. AINDA”

-m0skito: “Senti firmeza no AINDA.”

-Glenyo: “Eu sei de uma coisa. Essa tal de Clarice é bem gatinha, hehehehe”

- “Concordo ^^” – como quase que instantaneamente, postam juntos m0skito, Rei Azul, Daniel, e mais dois recém cadastrados, Mr. Alex e Saulo.

-Anne: “Homens -.-“

Após vários tópicos com discussões, brincadeiras e tentativa de entrosamento com os demais membros, os mais interessados no caso da “louca do hospital” finalmente estavam progredindo.

-Soso: “Depois de muito ralar, consegui decifrar o que as mensagens diziam:

QTGCIZPFGAJBEC
preciso de ajuda

UVAMVTJLANVJVGNAYVCLOAXVKOSISWCRERAPFQSAYDQUPRLDKUAMVTFGAJBEC
Estamos hj à noite na rua Joaquim Silva perto dos Arcos precisamos de ajuda

OCQACYFFKTEUBURALHWTCSDVPVQ
Não acredite nas palavras do Oto

DNCRIJFECSASJPQEDLCQTAHS
Clarice Casalino e deborah H L

TKVEDLTVGSCYFVKNOZXYYPHFUQRHAYNCDRAZJNEOMIS
Site destes cretinos: www.phytopharmabrasil.com.br

-m0skito: “ Graaaaande soso! Sou seu fã”

-Glenyo: “ Parabéns soso. Quanto ao Oto que falam aí, ela se refere ao Dr. Oto Sirpocci, Médico Psiquiatra da Phyto Pharma, segundo o site dado por ela.”

-Rei Azul: “Bem, pela data do vídeo postado, já não poderemos mais ir até a Joaquim Silva. “

-Anne: “Mas ainda podemos tentar entrar em contato com elas, não é?”

-m0skito:“Bem, agente pode aproveitar o e-mail com qual ela se cadastrou aqui no fórum”. Viva os poderes de moderador \o/”

-Soso: “Boa, mosk”

-Daniel: “Dei uma fuçada nos medicamentos que eles citam no site deles, mas não encontrei nada que pudesse ajudar muito”

-Cris: “Bem, por enquanto a única coisa que podemos fazer é tentar entrar em contato com a Clarice e esperar que ela mande mais notícias.“

-Soso: “Eu sugiro dagente também marcar um encontro para discutir sobre isso. É bem melhor do que conversar sobre isso por aqui. Melhor vocês trocarem seus contatos por mensagem privada para podermos marcar melhor.”

-Rei Azul: “Não esquecendo da cerveja ta ótimo.”

Como sugerido, os membros trocam contatos uns com os outros, e dias depois é marcado um encontro coletivo. Seria em um clube chamado FyqTício, pelas bandas de Copacabana.

Chegado o dia, Soso, Cris, Saulo e Glenyo são os primeiros a chegarem. Após conversarem um pouco, logo depois chegam Rei Azul, Daniel, Alex e uma garota novata no fórum, que se identifica como Polly.

Todos aproveitam pra se conhecerem melhor, rolam algumas brincadeiras entre os membros, mais ainda não tinham tocado no assunto da Phyto Pharma. Um pouco mais tarde, Anne chega ao local.

- Olá a todos! Cheguei muito atrasada?

- Não muito! – Diz Cris – Agente aproveitou pra jogar conversa fora, tirar umas fotos e tudo mais.

- É! – Continua Soso – Então, vamos começar? Acho que agora não falta mais ninguém.

- Vamos! Senão acaba ficando tarde. – Concorda Rei Azul.

- EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEI! – De repente todos se assustam com um louco gritando ao longe.

- Quem é aquilo?! – Pergunta Glenyo, assustado.

- Oi, desculpa o atraso, tava meio enrolado com umas parada lá em casa. – Diz o rapaz, que estava um pouco suado e um tanto ofegante. – Prazer, eu sou o m0skito.

- O cara já chega atrasado, fazendo barulho. Maravilha. – Diz Saulo.

M0skito tenta cumprimentar a todos o mais rápido possível, para não perderem tempo, apesar de ter demorado um pouco mais de tempo ao abraçar Anne, e de se impressionar ao ver Polly com uma camisa de um desenho chamado Digi Charat.

- LOL! Então você curte anime também?

- Hehehe, sim! – Responde a garota, envergonhada – Já até fiz cosplay da Dejiko.

- Que massa! No último evento eu fiz cosplay de b…

- Vamos retornar ao que interessa?!! – Fala Soso em tom de ameaça.

- Desculpa – m0skito fala envergonhado.

- Então, – Fala Rei Azul – Alguém teve alguma resposta da Clarice?

- Eu recebi. – Responde Anne – Ela mandou agradecer a todos, e que foi ontem ao IML ver o corpo do irmão. Disse que ia mandar umas fotos que ela conseguiu tirar, pois parece que ele andou tatuando coisas estranhas pelo corpo.

- Que tipo de coisas? – Pergunta Daniel.

- Não sei, ela apenas disse isso no e-mail.

- Talvez ele tenha deixado pistas para possíveis investigações. – Diz Glenyo.

- Você ta assistindo muito Amnésia, Glenyo. – Diz m0skito, que teve seu comentário ignorado.

- De qualquer maneira, ainda temos muito pouco. – Cris toma a vez – Pior é que só podemos esperar.

- Porque agente não pega o endereço da Phyto Casa e vamos lá ver por nós mesmos o que tem lá? – Fala Alex.

- Não é boa idéia. – Discorda Soso – Lembrem-se que as duas já estão sendo caçadas, e se nos envolvermos desse jeito, podem vim atrás de nós também.

- Mas agente já não ta se envolvendo? – m0skito questiona – Estamos ajudando duas garotas que nunca vimos na vida.

- Concordo, m0ska – Diz Anne – Mas acho que a Soso quer dizer que se vamos ajudar as duas, temos que ficar nas escondidas.

- Eu não entendo. – Começa Daniel – Se esse lance é tão perigoso assim, então por que estaríamos ajudando pessoas desconhecidas obrigando a nós mesmos a ficarem escondidos?

- Porque é divertido desvendar coisas – Diz Glenyo.

- Eu tou achando isso muito legal. É emocionante. E conhecer gente nova sempre é um motivo a mais. – Diz Anne.

- Todos nós temos motivos a mais para estar aqui – Diz m0skito, com um sorriso no rosto e olhando diretamente nos olhos de Anne, deixando-a sem graça.

- Bem – Diz Cris – Eu acho que se agente vai continuar com isso até o fim, então que agente vá com cuidado. De preferência evitem falar sobre isso com alguém de fora, e vamos tomar cuidado com os novos membros que entrarem no fórum. Nada pessoal Polly.

- Tudo bem, eu entendo. Hehehehe.

- Mas acho também que já está ficando tarde. Melhor irmos para casa. – Diz Rei Azul.

- Que nada, cara! – Diz Alex – Vamos ficar mais por aqui, tomando uns chopps e talz.

- Mas lembre-se que temos menores de idade com agente. E que precisam voltar cedo pra casa. – Responde o Rei.

Passa alguns minutos, todos vão se despedindo e partindo em direção às suas casas. Mas m0skito, que tinha sido um dos últimos a sair, corre.

- ANNE! – Grita, chamando atenção da garota.

- Oi m0sk.

- Você por acaso teria uma caneta aí com você?

- Não costumo andar com caneta na bolsa. Heheh… Mas pra que você quer?

- Err – Começa ele, com um pouco de vergonha – É pra anotar seu telefone.

- Deixa de ser bobo, garoto. Anota na agenda do celular.

- É! Eu sei, mas eu tinha que puxar o assunto de alguma maneira, hahaha!

- Hahhaha. Que fofinho.


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